Despojar-se pelo reino


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Neste domingo a Palavra de Deus nos faz um grande desafio: orienta-nos a investirmos tudo na aquisição do bem maior: o Reino do Pai. Por ele devemos colocar tudo em jogo. As leituras da celebração eucarística são: 1º livro de Reis capítulo 3; Romanos capítulo 8 e São Mateus capítulo 13. Através da primeira leitura percebemos que os últimos anos do reino de Davi foram bastante agitados e as desordens continuaram até que Salomão conseguiu conquistar o Reino. A Bíblia apresenta este rei como hábil político, a pessoa mais sábia que jamais tenha existido. De onde lhe vem tão grande sabedoria? Antes de iniciar o seu governo, Salomão foi até o santuário de Gabaon para oferecer um sacrifício. Ali, ele não pede nada para si: nem a riqueza, nem a saúde, nem a vitória contra os inimigos. Ele tinha a seguinte preocupação: por ser muito jovem, não tinha experiência para governar um povo grande e numeroso. Sabia que é muito fácil, para quem governa, deixar-se corromper pelas amizades, pelas simpatias, pelos próprios sentimentos, pelos caprichos das paixões desregradas e praticar graves injustiças contra o povo.Por isso pediu a Deus “um coração dócil para poder praticar a justiça em favor do seu povo e para saber distinguir o bem do mal”. O seu pedido agradou a Deus, que lhe concedeu “um coração sábio e inteligente como nunca existiu antes dele e não existirá jamais”. A sabedoria é mais do que uma filosofia ou uma arte de governar e de viver; é dom de Deus. Sábio é aquele que consegue discernir entre os caminhos de Deus e dos homens. É aquele que conhece e compreende a si mesmo. A sabedoria não é uma virtude da idade ou um fruto da boa vontade. É dom de Deus. Um dom necessário para quem deseja andar pelos caminhos do Senhor. Deus o concede a quem o procura de coração sincero e humilde. Na segunda leitura São Paulo revela-nos que tudo o que acontece, mesmo os desastres, as guerras, as calamidades naturais, até os pecados... nada foge do plano de Deus. Ele conduz os acontecimentos de forma que “tudo colabore para o bem”. A segunda parte da leitura apresenta as etapas do caminho que conduz à salvação. Antes de tudo existe a predestinação eterna por parte de Deus, que escolhe aqueles que estão destinados a serem seus filhos. Em seguida há a chamada, isto é, através da pregação as pessoas predestinadas são chamadas a aceitar o Evangelho de Cristo. Após a chamada vem a justificação, ou seja, a transformação interior mediante o Batismo, e por fim há a glorificação, quando se manifesta a nova condição de filhos de Deus. O projeto de Deus Pai é atingir o coração de todos: ele não exclui ninguém. Diante de sua proposta, cada um é livre para aderir ou recusar, escolher a vida ou a morte. No evangelho Jesus conta três parábolas: o tesouro, a pérola e a rede que apanha todo tipo de peixes. Na Palestina, era costume os ricos senhores enterrarem seus tesouros para preservá-los dos saques dos inimigos. Muitos morriam sem revelar aos familiares ou a amigos onde haviam escondido suas riquezas. Era comum o trabalhador do campo descobrir este tesouro. Ele então vendia tudo para investir na compra do campo. A outra parábola é semelhante: o mercador que estava buscando boas pérolas encontra uma “preciosidade”. Vende tudo para adquirir tal pedra. Ela representa o investimento de sua vida. A parábola da rede lançada ao mar que apanha peixes de todo tipo, evidencia que, na realidade social, convivem, lado a lado, bons e maus. Deus é quem lança a rede e a ele cabe o juízo da separação entre bons e maus. Jesus está falando sobre o Reino de Deus. O Reino de Deus é um valor que está acima de todas as especulações. É um valor supremo, pelo qual todo sacrifício se torna pequeno. O Reino de Deus é fé, esperança e caridade em ação. O Reino de Deus é um tesouro escondido, não é fácil encontrá-lo. Para o discípulo e missionário do Mestre não há outro tesouro, outra felicidade nem outra prioridade, senão ser instrumento do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo, o Tesouro, seja encontrado, seguido, amado, celebrado, anunciado e comunicado a todos, mesmo quando existem dificuldades e resistências. Quem aceita o Reino de Deus compreende que a felicidade é sinônimo não de ter mais e gastar, acumular e consumir, mas sim de compartilhar solidariamente o afeto, o tempo e os bens com os irmãos. BUSCAR SABEDORIA Começamos a conhecer os nomes dos candidatos à reeleição e à eleição para os cargos que votaremos em breve. Aos poucos conheceremos suas propostas, seus projetos e suas intenções. A palavra de Deus, neste domingo, apresenta um ideal de governo. Salomão pede “sabedoria” e nada para si, pois, com a sabedoria vem a justiça, a solidariedade, a consideração e tudo que hoje sentimos necessidade. Vamos pedir a Deus a graça da “sabedoria” para os que governam e para todos os candidatos. A PEDRA DOS SONHOS É natural o desejo de “ter” alguma coisa a mais. Quando a Mega-Sena acumula, aumentam as filas nas casas lotéricas e todos ali investem na esperança de serem contemplados com um tesouro. Nos garimpos, em condições quase sub-humanas, pessoas lutam de sol a sol, na expectativa de encontrar a pedra preciosa. Muitos migram de uma região para outra com o desejo de enriquecer. Deus não fica contra quem busca melhorar sua vida. O pecado que não agrada a Deus é a “ganância”, pois, por meio dela ficamos como “cegos”, não respeitamos o próximo, não ajudamos a ninguém e quase sempre para vencer, tiramos as oportunidades dos outros. Tenha, trabalhe, mas não prejudique ninguém. O TESOURO DA AMIZADE A Bíblia diz: o amigo bom e fiel vale mais que um tesouro. Ter amigos e ser amigo enriquece a vida. Não tem dinheiro que pague a amizade, pois ela não tem preço. José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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