Denúncias infundadas consomem tempo preciososo


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FALTA ESCLARECIMENTO O conselheiro tutelar Lucas Verzola disse que as pessoas confundem o atendimento prestado pelo Conselho, o que atrapalha os serviços
FALTA ESCLARECIMENTO O conselheiro tutelar Lucas Verzola disse que as pessoas confundem o atendimento prestado pelo Conselho, o que atrapalha os serviços
Nos primeiros seis meses deste ano, o Conselho Tutelar de Franca realizou 2.330 atendimentos, mas poderia ter feito mais não fosse o tempo perdido com a investigação de denúncias que não se confirmam. O conselheiro tutelar Lucas Verzola acompanhou casos registrados em 2008 pelo conselho e disse que de cada dez denúncias que chegam ao órgão, seis são infundadas. Para ele, esse dado é resultado da falta de compreensão da função do órgão por parte da população. Comércio da Franca -Quais as dificuldades do trabalho do Conselho? Lucas Verzola - Muitas pessoas e até funcionários da rede de saúde e educação não conhecem as atribuições do conselho. Somos acionados com freqüência para atender a ocorrências que não são da nossa competência. De 10, 6 denúncias são infundadas. Uma vez estava no pronto-socorro atendendo uma mãe que me ligou reclamando que o filho dela não parava de chorar porque a pipa dele havia ficado preso em um fio. Ela queria que eu resolvesse o problema. Outras pessoas nos ligam à noite pedindo para conseguir vagas na escola. As unidades estão fechadas, é impossível. Há muita rixa entre marido e mulher separados. Um quer acusar o outro e inventa histórias, mas ao nos ligar, ocupam a linha e uma denúncia verdadeira e mais grave pode deixar de ser atendida. Comércio - E quando o conselho pode agir? Lucas - Intervimos quando há violação dos direitos de menores de 18 anos, como espancamento, abuso, trabalho infantil, etc. Temos feito reuniões constantes para esclarecer nossa atuação e evitar confusão. Comércio - Até junho de 2007, o conselho atendeu 92 envolvidos com drogas. Neste ano, foram 108. Por que aumentou? Lucas - O envolvimento com esses produtos realmente cresceu bastante. Nós estamos assustados com o aumento de jovens e até de crianças envolvidos com as drogas. O uso pode começar dentro da própria residência. Eles crescem vendo o pai, a mãe, o irmão mais velho ou o tio usando a droga e isso já é um fator para entrarem nesse mundo também. Comércio - Qual o perfil desses usuários? Lucas - Homens e mulheres, de 13 a 18 anos, que consomem de maconha a crack, normalmente por andarem com más companhias ou terem casos na própria família. O pai traficante costuma colocar o filho para vender drogas. O problema é que muitos casos não têm solução. Oferecemos tratamento para dependência em clínicas, mas os jovens têm de querer e nem sempre isso acontece. Comércio - Como reverter esses casos? Lucas - É uma situação complicada. O conselho está aberto para atender essas famílias no que for preciso. Disponibilizamos clínicas de recuperação para os menores ou os pais se tratarem, além de fazer um acompanhamento geral com a família com toda a estrutura da rede pública de saúde no combate às drogas. Acho que agressões e xingamentos não vão resolver. Muitos pais dizem que “apanharam e viraram gente”. Mas hoje vivemos numa época totalmente diferente. O diálogo é a melhor alternativa.

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