No amor e na guerra, vale tudo. Na politica, o amor é evidente e a guerra, principalmente nas eleições, mais do que declarada. E, como no ditado, tudo é válido, ou melhor, quase tudo, principalmente abusar da criatividade na hora de escolher o nome de guerra. Com ou sem bom senso. Para estas eleições, 41% dos 270 candidatos a vereador preferiram sair para a disputa usando apenas nome e/ou sobrenome. Outros 59% resolveram inovar para chamar a atenção.
A reportagem do Comércio fez um levantamento na listagem dos candidatos dos partidos e selecionou alguns dos nomes mais curiosos e algumas de suas histórias. Foram encontradas pérolas como Dalmira Pantera, Bigode, Rose Biscuit, Batata, Zagalo, Bombom e Antônio Marcha-a-ré.
Outra tática antiga, mas também amplamente usada, é a vinculação da profissão do candidato a seu nome. Em todos os partidos, pelo menos uma pessoa usa um “cabeleireiro”, “bombeiro”, “pastora”, “escrivã” ou “fisioterapeuta”. Ao todo, 49 pessoas utilizam este recurso. A profissão com maior incidência é a de professor, com nove candidatos. Ainda nas profissões, é comum ver na terminação do nome o local de trabalho como “da prefeitura”, “do SUS”, “do tiro”, “da tapeçaria”, “do gás”, “da Caixa”. São 36 candidatos que assinam desta maneira e o local de trabalho preferido é o “da farmácia”, com cinco incidências. Referências de bairro como “do Leporace”, “do City Petrópolis” e “do Aeroporto II” também são vistos. Até detalhes anatômicos como “bigode” e “testa” não ficam de fora para facilitar a identificação do candidato.
A identificação por local de nascimento também é utilizada. É o caso de Adamá de Oliveira, 18, que “mineiramente” preferiu sair como Adamá de Cássia (PSDB), cidade próxima a Franca. Ela aposta na captura dos votos dos cassienses no município. “Fiz um levantamento e são 20 mil pessoas ligadas diretamente a Cássia. Mineiro gosta de mineiro é nesta ficha que vou apostar”, disse.
FUNCIONA?
Para o analista político Fábio Cantizani, da Faculdade de Direito de Franca, a tática dá certo. “É uma das armas que o candidato tem, já que é em seu local de origem ou trabalho que vai angariar votos. Nestes locais, ele é identificado geralmente pelo apelido”, disse.
Alguns eleitores, como o auxiliar de escritório José Manuel Filgueiras, concordam. Ele próprio admite que poderá votar em um candidato que o atrair pelo diferente, embora destaque que avalia o conteúdo. “Acho que o importante é a proposta. Se ele chama João, Caneta, ou Zé “Orêia”, pode até chamar a atenção, mas não é o principal. Quero mais saber se ele tem a contribuir”, disse.
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