Sabe aquele dia que você acorda e ao levantar já bate o dedinho do pé na quina da cama; vai tomar banho e acaba a água; quando sai do chuveiro percebe que esqueceu de levar a toalha; vai tomar café e derruba em cima da mesa; sai de casa, cai o maior toró e você não tem guarda-chuva? Não se desespere achando que o universo está contra você. Essas e outras coisas do cotidiano que insistem em dar errado não são coincidências, são apenas a comprovação da existência da Lei de Murphy.
O criador desta lei foi o capitão da Força Aérea americana Edward Murphy. Ele construiu um equipamento para registrar os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos que passavam por desaceleração rápida em aeronaves. No dia do principal teste, o aparelho foi instalado por um técnico, mas não funcionou, devido a uma pane, e quando Murphy foi verificar o equipamento, descobriu que a instalação estava toda errada. Como existiam apenas duas formas de fixação de cada sensor, e em todos os 16 sensores foi feito da maneira errada, disse a seguinte frase: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”. E esse dito virou uma máxima popular em todo o mundo.
Com a intenção de teorizar essa lei tão presente no imaginário popular, Robert Matthews, formado em física pela Universidade de Oxford, publicou um trabalho científico intitulado “A Lei de Murphy e a queda das torradas”, que lhe rendeu o Prêmio “Ignobel” da física (prêmio dado às pesquisas mais inúteis).
Em uma entrevista dada à revista Veja, Matthews disse ter desvendado um dos princípios mais célebres de Murphy: o da torrada que sempre cai com a face amanteigada voltada para o chão. Ele falou que seus testes mostraram que uma torrada, um livro ou qualquer objeto de formato semelhante têm uma tendência natural de cair de cabeça para baixo, porque o torque gravitacional não é suficiente para que eles girem completamente sobre si mesmos antes de chegar ao chão. “Isso quer dizer que, ao despencar de uma mesa, a torrada nunca terá tempo de dar uma volta completa de maneira a atingir o chão com a manteiga para cima. A distância entre a borda da mesa e o solo só permite que ela dê meia-volta”, explicou o cientista. Viu como isso não tem nada a ver com azar ou com a ação de algum gnomo invisível? É pura ciência básica.
Matthews também teorizou sobre aquela sensação que sempre temos no supermercado de que a fila do lado sempre anda mais rápido, dizendo que pela lei das probabilidades, é sempre mais provável que você pegue uma fila mais lenta. “Em um supermercado com cinco caixas, as possibilidades de pegar a fila que naquele momento específico vai andar mais rápido que as demais é de somente 20%. Nesse caso, você tem 80% de chances contra você. Significa que, em cinco chances, você tem quatro de entrar numa das filas mais lentas”, falou.
Então, da próxima vez que você estiver a caminho de um compromisso importante e o pneu do seu carro furar, lembre-se: não é conspiração do mundo contra você, é tudo culpa do capitão Murphy.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.