Destino material


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O cadáver gradualmente esmorece e empalidece, exala um cheiro que espanta até assombração, expõe as tripas e exibe o esqueleto depois de um tempo embaixo da terra. O destino é certo: todos cheiraremos mal e os vermes roerão as entranhas de nossos corpos até não sobrar nada. Pode-se atenuar este destino com a alternativa da cremação ou uma tumba de mármore. É nosso destino material apodrecer e cheirar mal. Resta traçar um rumo melhor para o destino espiritual. Tenho o intuito de parabenizar a atuação da nossa Polícia Federal e reconhecer que está em suas mãos o combate ao crime organizado e o grande salto para o fim da corrupção envolvendo o Estado brasileiro. É uma instituição das mais confiáveis e das que mais têm lutado pela conquista e preservação do Estado democrático de direito, sem o qual não se imagina uma sociedade coesa, harmônica e justa. O Departamento de Polícia Federal está vinculado ao Ministério de Justiça. A sua principal função é assegurar a ordem pública, sobretudo quanto a assuntos que envolvem a União. Entre suas atribuições estão o combate infrações contra bens, interesses e serviços do Brasil, previne e reprime o tráfico de drogas e entorpecentes, atua no policiamento aeroportuário, fronteiriço e marítimo, emite passaportes e cuida de questões migratórias. A operação Satiagraha demonstra que o País já não tolera mais a pilhagem do patrimônio do povo brasileiro e ações criminosas que desmoronam o conceito da nação, compram pessoas influentes e terminam impunes. Os argumentos contrários à Polícia Federal são pífios, uma vez que pobre e favelado sempre foi atirado contra a parede e humilhado por roubar bolacha em supermercado enquanto advogados de usurpadores milionários conseguem tirá-los da cadeia alegando que as algemas estavam apertadas demais. A batalha contra os grandes corsários está longe do fim, pois, no Brasil, a corrupção começa pelos pequenos intermediários, que têm influência, poder econômico ou contato político. Contudo, o passo inicial já foi dado, que é a insatisfação geral e o êxito das operações da Polícia Federal. Parecem piadas as críticas a esta instituição de abuso ao prender preventiva e temporariamente pessoas com indícios criminosos suficientes, e as outras especulações incabíveis e mal informadas que surgem, como a de quebra de privacidade. A Polícia Federal mantém declaradamente sigilo de suas operações, que só pode ser quebrado por vazamento. Recorre ao uso de grampos telefônicos para conduzir investigações somente quando necessário. Até aí, são ações idôneas, sem as quais seria difícil concluir um caso. A operação Satiagraha deu o que falar, gerou uma série de avanços, para uns, e equívocos, para outros. Algo está sendo feito no combate à criminalidade. Cheiro de defunto é repugnante. Esses elementos que desviam dinheiro público deixam apodrecer também a alma. Dinheiro que poderia ser usado pelo governo para formar milhões de cidadãos e salvar vidas. O sarcófago poderá feder tanto, que ninguém terá coragem nem de participar da cerimônia fúnebre. Enquanto isso, a ambição, a hipocrisia e o conflito de poder entre instituições arranham a nossa democracia. Ainda assim, há os que, como a Polícia Federal, cortam-lhes as unhas. Bruno Peron Loureiro Latino-americanista

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