Desde que o primeiro rompimento da adutora da Sabesp interrompeu o fornecimento de água, no domingo, não faltaram pedidos de moradores feitos pelo telefone 195 da empresa para que tivessem suas casas abastecidas. Funcionários ligados à diretoria da superintendência de Franca sustentaram que apenas locais com idosos, portadores de doenças graves ou pessoas imobilizadas seriam beneficiados.
Na quarta-feira, no entanto, a atividade de funcionários da companhia chamou a atenção de moradores e comerciantes de uma rua da Cidade Nova. A equipe de um caminhão-pipa da Sabesp, prefixo 0457, placas CPH 3224, teria ficado por mais de uma hora abastecendo a caixa de água da mansão existente nesse endereço. Na imagem feita pelo fotógrafo do Comércio, um servidor aparece em cima do imóvel operando a mangueira a partir do caminhão estacionado em frente à casa.
O procedimento chamou a atenção, sobretudo, da conselheira tutelar Gláucia Aparecida Limonti, que pediu serviço semelhante para a Casa Maternal “São Francisco de Assis”, entidade que cuida de crianças, mas ouviu doa da Sabesp que ela só seria atendida se houvesse alguém da creche para subir na caixa de água, o que acabou não acontecendo.
A reportagem procurou pela Sabesp e pelo proprietário da residência. A empresa, que desconhecia o caso, informou que a solicitação sequer havia sido registrada pelo telefone 195.
Na tarde de ontem, ainda sem fornecer informações definitivas sobre como a prestação do serviço a um imóvel particular se deu sem o conhecimento da empresa, o engenheiro Rui César, assessor da superintendência, disse que, “provavelmente”, o caminhão abastecia uma entidade próxima e foi chamado para o endereço em que foi flagrado. Os empregados da Sabesp, de acordo com o assessor, não tinham autorização para encher reservatórios particulares, muito menos para subir nos imóveis.
A residência pertence a um empresário do setor calçadista. Em sua explicação à reportagem, contou uma história pouco convincente. Segundo ele, o sogro de um irmão sofreria de problemas intestinais e, por isso, pediu que a caixa fosse enchida. Frisou que conversou com um funcionário bastante solícito, do qual não se lembrava o nome, o que contraria a afirmação da Sabesp, de que não houve nenhum pedido para aquele endereço.
Um detalhe na justificativa do empresário também chama a atenção: a pessoa doente, parente de seu irmão, não mora na casa, de acordo com ele próprio. Na manhã de ontem, a reportagem foi à casa indicada, onde a empregada afirmou que não existe ninguém enfermo morando no local. “Tem um menino com alergia a ar-condicionado. Só isso”, disse ela.
A Sabesp afirmou que inúmeros casos de má-fé foram registrados. Apenas na manhã de quinta, de 14 chamadas, cinco eram para pessoas com algum tipo de problema físico ou doença.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.