Sem recursos financeiros para pagar uma dívida trabalhista que chega a R$ 6 milhões e com o prazo do plano de recuperação judicial prestes a expirar, a Calçados Samello pedirá aos ex-funcionários mais prazo para que ela venda patrimônios e quite os débitos. Se os funcionários não concordarem, a Justiça pode decretar a falência da empresa.
O presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, disse que tentou negociar imóveis para levantar o valor, mas não conseguiu o suficiente para saldar a dívida. “Priorizamos esse pagamento desde o início, mas dependemos de recursos. Não posso fazer milagre. Estamos fazendo o máximo possível, mas as coisas não acontecem na velocidade que precisamos”, afirmou.
Pelo plano judicial, o prazo para a Samello quitar os créditos trabalhistas vence em 31 de julho. Se até lá ela não efetuar os pagamentos, corre o risco de ter o plano encerrado e decretada a falência. Justamente para que isso não aconteça, a empresa vai recorrer aos ex-funcionários e pedir mais tempo.
Os termos do acordo foram apresentados na última segunda-feira por Miguel ao Sindicato dos Sapateiros. Ele não sabe, ainda, qual será o novo prazo estipulado para o pagamento, mas está disposto a entregar aos funcionários, com intermediação do Sindicato, imóveis cujos valores sejam iguais aos da dívida. “Vamos fazer na base da parceria. Eles (sindicato e funcionários) tentam vender e nós também”, disse o presidente.
A proposta será apresentada aos trabalhadores em assembléia no dia 2 de agosto, às 8h30, no salão do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais - que tem mais espaço para acomodar os funcionários. “A assembléia é soberana e vai decidir se aceita ou não o acordo”, disse Pedro Nunes, diretor jurídico do Sindicato dos Sapateiros. Se os funcionários concordarem, será a vez da Justiça ser informada da situação.
O promotor de Justiça Carlos Henrique Gasparoto, que acompanha o caso, disse que a lei de recuperação judicial não prevê novos prazos para as empresas, mas que a situação, se apresentada, será analisada. “Nem tudo a lei prevê. Tem coisas que depende de princípios. Nada impede a Justiça de entender que é mais viável isso (o acordo) que decretar a falência”, afirmou.
SAMELLO EM NÚMEROS
A crise na Samello começou no final de 2005 e culminou com o fim das atividades em outubro de 2006. Tinha, então, dívidas com 1,8 mil trabalhadores. Em março deste ano, pagou 19% do valor (R$ 1,5 milhão no total) que os demitidos tinham na rescisão e liquidou débitos com outros 151 ex-funcionários que tinham valores de até R$ 599. A empresa pretendia quitar os R$ 6 milhões restantes até o mês de junho. O plano de recuperação prevê ainda o pagamento de quase R$ 60 milhões a fornecedores e bancos, num prazo de nove anos.
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