Sabesp impõe Lei Seca


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Ano após ano a história se repete em Franca e a ladainha é a mesma: baixo nível dos reservatórios, quebra de bombas, dificuldades na captação de água, racionamentos em diversos bairros, manutenção em reservatório e agora problemas nas galerias que trazem a água do Rio Canoas até a cidade, deixando secas as torneiras. E o que se poderia esperar da Sabesp - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo -, uma estatal que parou no tempo, não renova suas bombas e tubulações, não procura alternativa a não ser explorar o judiado Rio Canoas, nem tem um plano de emergência caso ocorram graves problemas que afetem o abastecimento como o desta semana? Certamente o caos. Mais uma vez. A “lei seca” imposta pela Sabesp obrigou o fechamento de creches e deixa - pelo menos até o término dessa coluna - cerca de 80% das residências de Franca sem água, prejudicando mais de 270 mil moradores. A população, assustada, sai às ruas, abandona seus afazeres e se arma com o que tem pela frente - tambores, garrafas plásticas, baldes, bacias e galões transportados em carriolas ou porta-malas de carros - em busca da caridade de empresas que se dispõem a fornecer água de seus poços artesianos, ou então à procura do líquido nas minas e bicas da cidade. Não é novidade para ninguém que mora há algum tempo em Franca, que nesta época do ano a cidade é castigada. Já estamos há quase 50 dias sem chuvas, com baixas temperaturas; os ventos trazem fumaças e poeiras; a umidade relativa do ar chega a assustar: abaixo dos 25% em várias ocasiões, mas esse número pode ainda diminuir. Por causa dessa baixa umidade do ar, o clima está seco e as doenças respiratórias têm se alastrado com facilidade. Se junta a esses problemas, para tirar a tranqüilidade de vez do cidadão francano, a falta de água numa região cercada por grandes rios. Não quero aqui ficar lamentando a falta de chuva, nem jogando a culpa em São Pedro, mas sim reclamar providências por parte de nossas autoridades para que esse desrespeito praticado pela Sabesp contra os direitos dos consumidores, colocando em risco até a segurança pública de uma cidade, não termine em pizza, como das outras vezes. A estatal não mostra nenhuma consideração com o cliente, que paga, e caro, pelo pífio e ineficaz serviço, deixando-o desinformado, só se manifestando em emissoras de rádio, tentando provar que pingo não é letra, depois de ouvir o clamor popular. Pior de tudo escutar, durante esses dias de lei seca imposta pela Sabesp, o gerente distrital da companhia, Rui César Bueno, pedir para economizarmos água. Como se nossas caixas estivessem cheias e as torneiras jorrando água com abundância. Aprendi, ainda no primário, que a água não é um bem econômico como qualquer outro. Está tão estreitamente ligada à vida que devemos considerá-la como algo sagrado. E a vida não pode ser transformada em uma mercadoria supérflua. Água é mais que um direito básico da cidadania, é garantia de vida e saúde para uma população sofrida que merece respeito. Se a Sabesp não tem competência, condições técnicas ou políticas para respeitar os direitos e as necessidades da população francana, que se abra oportunidade para que outras empresas privadas possam oferecer uma proposta (decente) para a distribuição e o abastecimento de água na cidade. O cidadão francano não pode mais passar por essa humilhação. CARTAS MARCADAS No final do mês o cidadão francano pode ser surpreendido com aumento em suas contas de água, não duvidem. Sempre aconteceu depois de problemas como este, de falta de água. Ao invés de ser ressarcido pelo prejuízo que sofreu, sem o precioso líquido em suas torneiras, ainda paga os trabalhos executados pela Sabesp. Cartas marcadas. Quem viver, verá. ELEIÇÃO SEM GRAÇA Aquele clima eleitoral ainda não chegou por aqui. A população parece interessada tão só na incontrolável ascensão da maquininha que remarca os preços. Onde os comícios? As bandeiras? As moças bonitas nas esquinas com sorrisos de encomenda e adesivos criativos, à procura quase desesperada do eleitor indiferente? Nem o pessoal do PT, quase sempre barulhento, rufa seus tambores. Eleiçãozinha sem graça, essa! NEGATIVO Além dos ratos que estão invadindo as residências em Franca, convivemos diariamente com milhares de insetos nocivos, correndo risco de contaminação com as mais diversas moléstias. As baratas, além de transmissoras, são nojentas, vivem nos lugares mais sujos e se adaptam em qualquer ambiente. O mosquito da dengue é outro inimigo mortal muito próximo de nós, escondido em um bonito vaso de flores. A população tem que se conscientizar, olhando seu quintal e até o do vizinho se for necessário. Afinal é a segurança de todos que está em jogo. POSITIVO Muitas empresas de Franca abrem suas portas para que a população possa se abastecer com água durante esses dias de torneiras secas. Algumas, com poços artesianos, ligam para a Rádio Difusora e informam seus endereços, colocando-se à disposição dos francanos. Calçados Samello é uma delas. A gentileza dos seus funcionários, principalmente os que se encontram na portaria da fábrica, na Rua Coronel Tamarindo, buscando orientar os que procuram se abastecer do precioso líquido, não será jamais esquecida. Isso é a solidariedade francana. LEI DE LAVOISIER “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Trocando em miúdos: “cana dá álcool, álcool dá cana”. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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