A indústria calçadista ameaça dispensar funcionários e parar a produção por causa da falta de água. Restaurantes e salões de cabeleireiros, entre outros, também enfrentam dificuldades para conseguirem trabalhar. Enquanto isso, as revendas de água mineral vêem suas vendas aumentarem até absurdos de 3.000%. Ontem a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) divulgou nota oficial informando que algumas indústrias podem começar a fazer acordos de liberação dos funcionários por causa da falta de água.
Parte do parque fabril da cidade não conta com recursos hídricos próprios e já trabalha com a possibilidade de um possível colapso caso não haja um reabastecimento rapidamente.
Outros setores também amargam prejuízos. A cabeleireira Eliane Tonin disse que já perdeu metade dos 20 clientes que atende diariamente pela falta de água. “Já perdi 50% dos clientes. Minha filha está buscando de galão e eu estou lavando o cabelo das clientes de canequinha. Amanhã tem muito relaxamento, vou ter que desmarcar todos porque nesse caso não tem como lavar de canequinha.”
Já as distribuidoras de água observam suas vendas crescerem. É caso da distribuidora Fazendão, que vendia cinco galões de água por dia. Com a falta de água, suas vendas saltaram para 150. “O entregador vai levar em uma casa aí o vizinho já pede também. Então a pick up já sai cheia de galões”.
O setor de lavanderia, que poderia ver seus lucros crescerem com a dificuldade das pessoas em lavar roupas, se vê em um dilema: a procura pelos serviços aumentou, mas o perigo da falta de água pode afetar o serviço. O empresário Mauro Breda Fernandes, por exemplo, disse que a falta de água ainda não afetou os serviços por causa de seu reservatório de segurança. “Aumentou em torno de 30%, porém estamos usando o bom senso e compreensão dos clientes, aumentando um pouco o prazo da entrega para não comprometer o serviço”.
Nos hotéis, motéis e hospitais ouvidos pela reportagem, os serviços não foram afetados por terem um sistema próprio de reserva de água.
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