O ginecologista obstetra Ismael Alarcon acompanhou a gravidez de Cileiva Morais, 34. Em dez anos de profissão, é a primeira vez que conhece bebês com cores diferentes. “Os gêmeos são bivitelinos, ou seja, de fecundações distintas. Neste caso, esperam-se filhos diferentes, que nem parecem irmãos, mas a diferença da cor da pele dos bebês de Cileiva é gritante”, disse o médico.
Ismael disse que Cileiva ovulou duas vezes e dois espermatozóides diferentes fecundaram os óvulos. Esse seria outro motivo para explicar a diferença dos gêmeos. O médico não soube explicar por que a paciente teve ovulação dupla. “Normalmente, a tendência de ter gêmeos é familiar”, disse. Cileiva tem parentes distantes gêmeos.
“Meu pai disse que a bisavó dele era irmã gêmea”. Tratamentos para induzir a ovulação e fertilização também aumentam as chances de ter gêmeos, mas não foi o caso do casal francano.
Um blog sobre genética traz a declaração do geneticista Stephen Withers sobre um caso de gêmeos de cores diferentes no Reino Unido. Segundo o especialista, a probabilidade disso acontecer é uma vez em um milhão.
O ginecologista Sérgio Gonçalves, de São Paulo, discorda. Ele não soube informar a probabilidade da ocorrência, mas diz que é comum.
“Não é raro. Esse tipo de caso chama a atenção da imprensa, mas não é nada surpreendente, principalmente no Brasil, onde a miscigenação é alta”, disse. “O problema é que as pessoas sempre assimilam gêmeos a irmãos idênticos, mas são diferentes. A única coincidência é serem gerados no mesmo momento”.
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