Pelo terceiro dia consecutivo, a população de Franca viveu um caos com a falta d’água. Ontem, mais de 70 mil residências ainda permaneceram sem o abastecimento. A paciência dos moradores já está por um fio. Apenas as regiões centrais, hospitais e a Avenida Presidente Vargas estavam com fornecimento normal. O dilema deve chegar ao fim a partir de amanhã, mas o retorno será gradual. O fornecimento está interrompido desde domingo, quando a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) iniciou reparos na adutora do Rio Canoas, que abastece a cidade e descobriu outro vazamento.
Franca voltou a viver dias de desespero. Moradores chegaram a brigar pela água e relembraram momentos caóticos vividos em 2006 e 2007, quando o fornecimento também esteve suspenso. No poço localizado num clube da cidade, houve confusão. Pessoas estiveram no local para abastecer recipientes com água, mas foram impedidas por um funcionário, que trancou os portões. O acesso só foi liberado depois de muita gritaria e ameaças de invasão. À tarde, um grupo de 50 moradores bloqueou uma avenida no Jardim Panorama impedindo carros de transitarem porque queriam um caminhão-pipa no bairro.
Bicas e poços na cidade ficaram tomados por pessoas com vasilhas em carriolas, carrinhos de feira ou nas mãos. Pela manhã, a fila em frente ao Sesi, na Santa Cruz, tinha cerca de cem famílias. A calçada ficou lotada de idosos, adultos e crianças. As filas continuaram até a noite.
O professor Olivel Peixoto era um dos que aguardavam para conseguir água. “Moramos em seis pessoas lá em casa e, desde domingo, estamos sem água. No banheiro não tem como dar descarga”, disse. Para Janaína de Souza, que também estava no Sesi, a maior dificuldade é para as crianças. “Não há como fazer comida nem ir ao banheiro”.
A solidariedade também foi percebida nos últimos dias. Postos de combustíveis dividem água com as pessoas. “Chegou aqui até uma família em uma Pampa trazendo uma piscina. Foi muito engraçado. Autorizei encherem aqui no posto”, disse o gerente do Posto Sorriso, José de Almeida, 32.
Na Creche “Maria da Cruz”, na Vila Formosa, as 77 crianças foram dispensadas porque a entidade estava sem água. A assistente social Mariana Couto Rosa disse que não tinha condições de mantê-las sem água e comida durante um dia inteiro. “Liguei para a Sabesp, eles afirmaram que a água não iria voltar durante o dia. Então liguei para os pais buscarem as crianças”.
Há quem se beneficie com a falta d’água na cidade: os vendedores de galões. Em mais de dez lojas consultadas, as vendas dispararam desde segunda-feira. A Sabesp pediu ajuda para outras cidades, que enviaram caminhões-pipa para reforçar o abastecimento no município. Não só os moradores de Franca vivem o caos da falta d’água. Restinga também está sem o abastecimento desde domingo.
Colaboraram Bárbara Borges,Fernando Machado e Pablo Santos Pinto
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