Agentes funerários


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Quando os pais perguntam aos filhos pequenos o que vão ser quando crescer e esperam como resposta os tradicionais médico, dentista ou advogado, a resposta, muitas vezes, é inusitada: astronauta, arqueólogo, aeromoça, lixeiro, mergulhador, entre outras que a fértil cabeça das crianças imagina. Mas e agora, depois de crescidinho, você já pensou em fazer algo que fuja das atividades convencionais? Dentre as possíveis profissões que você imaginou exercer, passou, por exemplo, ser agente funerário? Pois é, à primeira vista pode soar como algo sombrio, mórbido ou sarcástico, mas esta profissão, apesar do estigma negativo, é de fundamental importância para toda a sociedade. Afinal, alguém tem que fazer o trabalho, que inclui recolher e costurar cadáveres - principalmente em casos de acidentes de trânsito - vestir e até maquiar os mortos para melhorar a aparência e minimizar o sofrimento alheio. Os agentes funerários trabalham duro, convivem com todo tipo de mazelas, doenças e acidentes, não têm hora para acordar nem dormir e, como ninguém morre com hora marcada, não há como prever como será o dia. E tem mais: para ser um profissional desta área - e ganhar a partir de R$ 1 mil mensais - é preciso fazer um curso de tanatopraxia (para aprender os procedimentos, como manusear os medicamentos que evitam mau cheiro durante o velório). É preciso, ainda, obter um certificado expedido pelo Instituto de Biociências de uma Faculdade de Medicina. Viu que dureza? Antônio Amélio Gomes é proprietário de funerárias há 30 anos e disse que, na hora de contratar os funcionários para a função, já viu muito “machão” desmaiar e sair carregado da sala onde fica o defunto. “De umas 40 pessoas que passam por aqui fazendo testes, só duas ficam no trabalho. A maioria passa mal, enjoa e desiste do emprego”, falou. “Às vezes também é preciso fazer o traslado do corpo de uma cidade pra outra e o agente tem que dirigir por horas, sozinho com o corpo. Não é qualquer um que agüenta”, disse Gomes. “Eu considero um bom trabalho”, afirmou o agente Fabrício Teodoro de Siqueira, 28. Os pré-requisitos para enfrentar o batente em uma funerária são: ser corajoso (imagina você de madrugada, sozinho, dando banho em um morto); não ser supersticioso, (você tem que ter certeza, sem sombra de dúvidas, que o morto está bem morto, e não vai lhe assombrar durante as madrugadas); ter afinidade com farmácia, medicina e enfermagem (manejar tesouras, agulhas e coisas do tipo, farão parte da rotina, pois terá de “operar” os corpos). Em compensação, o mercado de trabalho é amplo, afinal, as pessoas não param nunca de morrer. E aí, é corajoso o bastante? Vai encarar?

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