A formação e o cargo


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Dificilmente se encontra alguém trabalhando naquilo que realmente gosta. Quem consegue executar uma tarefa profissional dentro de suas vontades e aptidões pessoais está dentro do paraíso mas nem se apercebe dessa dádiva. A própria sabedoria chinesa apregoa (e faz muito tempo) que aquele que trabalha de acordo com o seu gosto nunca se cansa. Está sempre cheio de ânimo, com disposição plena. Deve ser por isso que o desânimo ou a falta de vontade impera no setor público. Principalmente nos cargos em comissão. Como não há necessidade de concurso, parece haver uma enorme dicotomia entre a formação da pessoa e o cargo no qual desempenha suas atividades. A função só serve mesmo como meio de remuneração. Isso acaba gerando muita insatisfação e até intranqüilidade, justamente quando falta a habilidade profissional necessária. Imagine o lado psicológico do funcionário, contratado em 1958, conforme recordou a coluna ‘Há 50 anos’, deste jornal, dia 15 passado: “Nomeado motorista sem habilitação - O regime de irresponsabilidade que se instalou na Prefeitura local vem obter confirmação com o recente decreto 1233, de 26 de junho último, em que o chefe do executivo nomeia (cidadão) para o cargo de motorista da municipalidade, sem que o nomeado possua carta expedida pelas autoridades de trânsito, nem sequer registro de habilitação para guiar quaisquer veículos (...)”. Na certa, esse indivíduo deve ter se sentido como um peixe fora da água. Sem ao menos ter por perto um veterinário para cuidar de sua saúde física ou mental. Fosse hoje, já não haveria tantos problemas com o seu desencontro profissional. Porque o mais comum mesmo é colocar alguém fora da área, para dirigir alguma pasta ou executar uma atividade pública. Isso se dá em todas as esferas governamentais: municipal, estadual e federal. Veja só. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Reinhold Stephanes, que é formado em Economia. Pertencia à antiga Aliança Renovadora Nacional (Arena). Partido político afeito ao controvertido regime militar. Foi ministro do presidente Geisel. Passou pelo governo Collor, sempre entre as pastas da Previdência Social ou do Trabalho. Até que esses ministérios estavam de bom tamanho para um economista. Depois, foi também deputado federal. Agora, cuida do setor agropecuário de um governo do PT. Isso, sem ser petista. Será que ele pelo menos sabe tirar leite de uma vaca? As diferenças profissionais afloram abundantemente. Mas em outros países, o profissional certo é sempre colocado no lugar certo. Recentemente, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Israel, Shalom Simhom, visitou a região de Franca. Numa das propriedades rurais, que conheceu, o representante do governo israelense ordenhou vacas. Este jornal estampou foto, na primeira página do dia 10 passado, do sorridente ministro com a “mão na massa”. Além de prática na pecuária, ele também demonstrou conhecimento profundo sobre irrigação. Técnica essa que permitiu transformar seu país, de deserto, em um oásis. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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