A preocupação não é nova. O problema é antigo e a solução, na maior parte dos casos, é sair pela tangente, ou seja, entregar o problema aos terceirizados. Poucos empresários se dão conta que, ao contratar uma banca de pesponto, de fato, estão pagando um chefe de pesponto, que garante infalivelmente o lucro dele.
Ouvi outro dia uma declaração sincera de um destes donos da banca: Eu quero livre para mim um mil por mês! (Banca dele produz oitenta pares por dia. Algum comentário?).
E se o empresário trabalha com cinco, dez ou até vinte bancadas, em vez de ter um encarregado ou encarregada do pesponto eficiente, está pagando para ter dez causadores de problemas. O despreparo dos encarregados do pesponto é alarmante. Dei-me conta desta situação durante os cursos de ‘Produtividade do pesponto’, que ministro no Sindinova em Nova Serrana. Os nossos encarregados desconhecem os princípios mais elementares de produtividade.
Mantêm a polêmica sobre o sistema mais eficaz de administrar a produção, se é com formação de ‘grupos’, de ‘células’, de ‘trilhos’ ou simples distribuição de trabalhos entre operações, colocadas sem critério, a esmo.
Problema que não existe, porque já foi resolvido oitenta anos! No livro ‘Organização e gerenciamento do pesponto’ publiquei uma fotografia de uma esteira de fita, tirada na década de 30 na matriz mundial das indústrias Bata, em Zlín, naquela época na ex-Tchecoslováquia.
É lógico que a esteira não se organiza sozinha, que existe uma definição administrativa de seqüenciamento do trabalho, da cronometragem, etc., coisas simples de se fazer e que podem ser ensinadas em algumas horas para pessoa que tem alguma noção do trabalho do pesponto. Não me refiro à cronoanálise, que continuo a considerar um luxo desnecessário na indústria de calçados (agora vou receber outra avalanche de e-mails dos cronoanalistas com medo de perder emprego!).
O ingrediente mais importante, é e sempre será o bom senso. Tive oportunidade de discutir este assunto com a filha de um empresário, encarregada do pesponto na fábrica da família. Mostrei para ela como perdia a produção pela má organização do trabalho e pela falta de um transportador, seja lá de que formato ou mecanismo.
Vejamos as vantagens. Primeiro - ganho em produtividade, pela melhor logística, que pode chegar a 20%. Em segundo lugar ganho na qualidade do trabalho. Como posso ganhar na logística? Pelo simples fato que o transportador traz o par a ser operado e o leva para operação seguinte, sem nenhum esforço, em tempo praticamente zero, evita a movimentação das caixas, tirar o produto da caixa, arrumar na mesa da máquina e, depois da operação feita, acomodar novamente o produto, os dez, quinze ou vinte pares de volta na caixa e procurar o que fazer em seguida. Cronometrem os tempos mortos e pasmem o que isso custa em dinheiro pago, sem nenhuma mais valia ao produto.
E quanto à qualidade? Desde que vamos adotar o Sistema Toyota e cada operário será sensibilizado para não dar prosseguimento ao trabalho não perfeito que foi parar em sua mão, o dano limitar-se-á, no máximo, ao primeiro par com defeito. Ao passo que com acúmulo de 3 ou 4 caixas, paradas, com operação malfeita, o dano pode alcançar até 80 ou cem pares, antes que seja descoberto!
Há muito a ser feito em nossos pespontos. Mas a mudança mais importante - e a mais difícil - é a mudança da mentalidade: ‘Mas sempre fizemos assim!’ Paciência, então, continuem fazendo o que sempre fizeram e não se preocupem com aqueles ‘companheiros’ de olhos puxados. Eles, também, não estão nem um pouquinho preocupados com vocês. Estão preocupados, isso sim, que vocês poderiam mudar de mentalidade e dificultar a vida ou a vinda deles.
RECICLAGEM E CIDADANIA NA FRANCAL
Por meio do Projeto Reciclagem Coleta Seletiva no Pavilhão, a Francal Cidadania, braço de Responsabilidade Social Empresarial da Francal Feiras, em parceria com a ONG Pueras, conseguiu números impressionantes de destinação correta dos resíduos gerados durante a montagem, realização e desmontagem da Francal 2008: 28 toneladas de material reciclável deixaram de ser descartadas nos aterros sanitários.
SOBE E DESCE
A indústria paulista de transformação fechou junho com geração de 5 mil postos de trabalho, ou variação de 0,21% em comparação a maio, segundo pesquisa divulgada pelo Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp). Em termos ajustados, houve aumento de 0,19%. Franca, porém, amargou o mesmo período em queda de 1,22%. A pesquisa também apontou que o setor de Couro, Artigos de Viagem e Calçados demonstrou as variações negativas mais expressivas (-4,88%).
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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