Falta d’água traz o caos a Franca; problema persiste por mais 3 dias


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SE VIRANDO - Alexandre Eugênio Simão enche galões de água em bica próxima à rodovia
SE VIRANDO - Alexandre Eugênio Simão enche galões de água em bica próxima à rodovia
Cerca de 80% das residências da cidade, ou aproximadamente 70 mil casas, ficaram sem água no domingo e nesta segunda-feira. Os bairros mais atingidos foram os de maior altitude, como o Leporace, a Vila Nova, Capelinha, Progresso e Aeroporto. Mas a falta d’água levou o caos à praticamente toda a cidade. O recurso usado por muitos moradores foi comprar água para beber ou recorrer às bicas para garantir água para os serviços domésticos. “Tenho bebê recém-nascido. Não estou podendo lavar roupas e fraldas desde domingo, sem contar que não deu para lavar louça nem tomar banho direito. É muito difícil ficar sem água”, disse a dona-de-casa Jacqueline Ferreira, moradora do Jardim Bom Sucesso. A empregada doméstica Geni Gonçalves concorda. “A gente fica sem luz, sem gás e dá um jeito, mas sem água não dá. Não consegui fazer nada em casa nem na casa da minha patroa”, disse ela que mora e trabalha no Jardim Dermínio. A suspensão no fornecimento foi ocasionada por problemas nas galerias de captação que trazem a água do Rio Canoas até cidade. O conserto da tubulação entre Franca e Claraval, onde os problemas ocorreram, só deve ser concluído em três dias. A informação é da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). O gerente distrital da companhia, Rui César Bueno, disse que, durante os serviços de manutenção na captação do Rio Canoas no domingo, os técnicos da empresa descobriram que a tubulação estava amassada e com uma trinca por onde estava vazando água. A água acabou se misturando com a terra no local e criando uma espécie de areia movediça, o que dificultou muito os serviços de troca dos canos. “A manutenção com o solo nestas condições é perigosa, por isso precisamos tirar a terra do local, fazer um calçamento com pedras e, então, atingir a tubulação. Se não fosse feito isso, poderia cair um equipamento e até uma pessoa lá dentro”. De domingo até ontem, cerca de 300 metros cúbicos, ou 50 caminhões, de pedra foram colocados no local. A previsão era que este serviço durasse até o começo da madrugada de hoje, quando só então as bombas de captação de água poderiam ser religadas. A expectativa da Sabesp era que parte da distribuição de água se normalizasse na madrugada de hoje. “Durante a madrugada, devemos conseguir alimentar os principais reservatórios da cidade, fazendo com que o abastecimento seja regularizado para, pelo menos, 50% das residências”, disse Bueno. Apesar da regularização começar na madrugada de hoje, o atendimento em toda a cidade só deve voltar ao normal em três dias. “Se a gente conseguir colocar água hoje (ontem) à noite na cidade, o prazo para ter a cidade totalmente abastecida é de até 72 horas.” SEM ATENDIMENTO Junto à falta d´água, a ausência de informações também irritou os francanos. Durante o dia de ontem, cinco pessoas ligaram para a redação integrada do Comércio e da Difusora AM para reclamar da dificuldade de se falar com a Sabesp. Um deles foi o presidente da Adef (Associação dos Deficientes de Franca), Fernando da Silva. Fernando disse ter ligado para oito telefones diferentes e não conseguiu falar em nenhum deles. “Quando não dava sinal de ocupado, o telefone tocava até a chamada cair”. O principal motivo das ligações era a busca de informações e a possibilidade de se solicitar a visita de caminhões-pipas nos bairros afetados. Pelo menos os estabelecimentos comerciais foram atendidos pela empresa. O balconista de açougue Jean Fernando Mello disse que solicitou à Sabesp o abastecimento por meio de um caminhão-pipa e foi atendido. “Eles entregam mil litros, mas só hoje (ontem) até a hora do almoço já gastamos quinhentos litros”, disse.

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