Uma luz mais intensa, um ruído mais alto, a eminência de uma prova na escola, maior pressão no trabalho. Para quem sofre de enxaqueca, fatos como esses - relativamente simples no cotidiano - estão entre os inúmeros motivos que podem desencadear sintomas da enxaqueca, entre eles, o mais comum: a dor de cabeça. Mais corriqueira do que se imagina, a doença predomina entre mulheres, afetando cerca de 20% delas, mas atinge também de 5 a 10% dos homens, segundo a SBC (Sociedade Brasileira de Cefaléia).
A dor de cabeça causada pela enxaqueca pode apresentar diferentes intensidades. Enquanto em algumas situações é leve e quase imperceptível, em outras pode ser até incapacitante de tão severa.
O estudante Felipe Gomes Salomão, 20, disse conhecer de perto essa realidade. Ele conta que a enxaqueca foi culpada, inclusive, por adiar o seu ingresso na faculdade. “Fiz cursinho o ano inteiro e, bem no dia da prova, tive uma crise que me deixou de cama. Minha mãe não podia nem abrir a porta do meu quarto que a minha cabeça parecia que ia explodir. Não fui, perdi o dinheiro da inscrição e a oportunidade de passar no vestibular”, afirmou.
A mesma doença e os contratempos decorrentes dela fomentaram em Polyana Teixeira, 18, estudante de um curso técnico de enfermagem, a vontade de entender um pouco do funcionamento do corpo humano. “Já perdi muitas coisas, como festas e compromissos, por causa da minha dor de cabeça (segundo ela, decorrente da enxaqueca). Agora quero entender tudo para viver melhor com isso. Meu sonho é um dia estudar medicina”, disse.
De tão comum, a enxaqueca dá nome a uma série de comunidades virtuais em um site de relacionamentos. Considerando-se apenas as três maiores, mais de 21 mil pessoas narram fatos relacionados a ela. Há desde relatos de sintomas comuns, como a própria dor de cabeça, tontura e vertigem, até internautas que falam de cegueiras repentinas em razão da doença. Nas mesmas comunidades virtuais, até fatos positivos, como momentos de alegria, início de um novo relacionamento ou até ingestão de bananas são apontados como desencadeadores de crises.
Mais que tirar a concentração, como no caso do Felipe, atrapalhar a vida social, como na história de Polyana, a enxaqueca gera ainda transtornos que podem levar à diminuição da força muscular de um lado do corpo, formigamentos, enjôos, vômitos, hipersensibilidade do couro cabeludo, visão embaçada, instabilidade de humor, ansiedade, além da aversão à claridade, ao barulho e aos cheiros, entre outras conseqüências.
O médico Alexandre Feldman, membro da American Headache Society e autor dos livros Enxaqueca. Finalmente Uma Saída, A Dor de Cabeça Morre Pela Boca e Cefaléias Primárias, Diagnóstico e Tratamento, afirma que a enxaqueca é um desequilíbrio químico no cérebro, que envolve hormônios e substâncias denominadas peptídeos.
“Esse desequilíbrio resulta de uma série de outros problemas neuroquímicos e hormonais, decorrentes do estilo de vida e hábitos do portador da doença, e também de uma predisposição genética”.
E a pessoa não precisa apresentar todos os sintomas relatados para ser diagnosticada uma enxaqueca. Normalmente apresenta alguns deles, em graus variados. A duração pode ser de “apenas” três horas, mas pode chegar a períodos longos, de dois a três dias, e a freqüência das crises é muito variável.
Quanto ao tratamento, especialistas são enfáticos ao afirmar que o uso de medicamentos, como analgésicos, tem sido eficaz no tratamento e na prevenção da doença. No entanto, enquanto não aparece uma solução definitiva para o problema, adotar algumas medidas simples pode ajudar a aliviar os transtornos durante as crises. A combinação “de ouro”: dormir, alimentar-se bem e praticar exercícios físicos. Também ajuda a amenizar os incômodos da enxaqueca ficar quietinho em um quarto escuro e silencioso, massagear as áreas doloridas e organizar a vida para evitar estresse e tensão.
NÃO CONFUNDA
A enxaqueca é somente um dos tipos de dor de cabeça conhecidos pela medicina. O fato da cabeça doer pode ser uma manifestação de diversos problemas. Entre os tipos de dor mais comuns estão a tensional e a cefaléia secundária, decorrente de males como sinusites, resfriados e crises hipertensivas entre outras causas. O ideal é que toda crise do tipo seja avaliada por um médico.
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