Nenhum dos políticos que disputam as eleições para a Prefeitura de Franca neste ano tem condenações na Justiça Criminal ou que envolvam a vida pública. Dos cinco concorrentes, dois não são alvos nem de ações judiciais particulares. O levantamento, feito pela reportagem do Comércio, foi baseado no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (www.tj-sp.gov.br).
Na frente das pesquisas de intenção de voto, o atual pre-feito Sidnei Rocha (PSDB), apesar de não ter sido condenado, é o único a possuir processos criminais. São dois e já estão arquivados. Além disso, ele ainda responde a uma ação aberta na Justiça Cível por conta do caso que ficou conhecido como “chute nos cones”. Gilson Pelizaro (PT), segundo colocado nas pesquisas, tem contra si apenas uma ação civil pública movida pelo Ministério Público aberta não apenas contra o petista, mas contra todos os 15 membros da Câmara Municipal de Franca. Os outros três candidatos, todos sem experiência política anterior, têm a situação ainda mais tranquila. Cristiano Rodrigues (PV) responde a uma ação particular e Tito Flávio (PCB) e Jorge Martins (PSOL) não têm processos registrados.
Os processos nos quais Sidnei Rocha figura como réu na Justiça Criminal são bem antigos. Um caso foi aberto em 1979 e outro em 1991. Ambos estão arquivados. A reportagem entrou em contato com o Fórum “Alberto Azevedo”, com o Ministério Público e até com o Tribunal de Justiça para descobrir quais são as acusações, mas não teve sucesso. Sidnei Rocha também não disse qual o mote das ações. Limitou-se a dizer que as duas foram abertas quando ele era apresentador de um programa na rádio Hertz AM.
Apesar de não constar na lista do Tribunal, Sidnei possui ainda uma pendência ativa na Justiça Cível. O prefeito se defende, em segunda instância, no caso do “chute nos cones”. Na ocasião, em 30 de setembro de 2006, o prefeito teria xingado um PM e chutado cones de sinalização de trânsito que, segundo depoimento dele, atrapalhavam o fluxo dos carros. O policial militar se sentiu ofendido e processou o prefeito. Para Sidnei Rocha, nada que saia do normal. “Um radialista ou político que exerce seu trabalho com seriedade e sem medo sempre está sujeito a algum processo”.
O petista Gilson Pelizaro é o único que precisa se defender em uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público. O processo foi aberto contra todos os vereadores de Franca em 2003 por conta de um aumento salarial que eles deram a si próprios. “Esta ação é contra o Legislativo todo. Inclusive, quem está fazendo a nossa defesa é o jurídico de lá (Câmara)”, disse.
O assessor jurídico da Câmara, Waldir Paludetto, fez coro ao vereador. “Foi uma recomposição do poder aquisitivo da moeda em face da inflação, que na época girava em 2% ou 3%. O MP entendeu que não era constitucional e entrou com a ação contra os vereadores”, disse.
Segundo Paludetto, o processo foi ganho em primeira instância e o MP recorreu, levando o caso para o Tribunal de Justiça. “Não há nada que desabone o Gilson”.
Contra o candidato do PV, Cristiano Rodrigues, o “Crico”, existe apenas uma ação particular, de 1998. “Isso foi uma questão de execução fiscal da minha empresa de comunicação referente ao ISS (Imposto Sobre Serviços) que estou pagando parceladamente”, disse.
Crico diz que vai usar o fato de não ter nenhum processo grave contra si para conseguir recursos para sua campanha. “Como não temos dinheiro para bancar, eu preciso mostrar aos empresários que acreditam no partido que sou um cara honesto. Se não fosse, como eles iam colocar dinheiro na minha mão para a campanha?”, questionou.
Os dois candidatos que não possuem nenhuma pendência judicial são Tito Flávio (PCB) e Jorge Martins (PSol). Apesar da boa ficha, Tito, que nunca ocupou cargos eletivos, diferente de seu concorrente, disse que não pretende usar o trunfo de ter ficha limpa na campanha. “Até por que nosso discurso será voltado para a solução dos problemas que existem e a atual administração esconde”, disse.
Como Cristiano, Jorge Martins disse que vai divulgar seus bons “antecedentes” para mostrar sua boa índole ao eleitorado.
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