Chiclete com banana


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‘Quem é tão firme que não pode ser seduzido?’ William Shakespeare, escritor inglês (1623) Ainda estamos só no começo do processo eleitoral, mas os candidatos que disputam a Prefeitura de Franca já submetem os eleitores a um fenômeno que, por mais recorrente que historicamente seja, nunca deixa de surpreender: para vencer a disputa ou impedir alguém de conquistar o mesmo objetivo, vale quase tudo. Inclusive, atropelar as próprias convicções, tentar passar uma borracha no passado ou, paradoxalmente, separar aliados naturais. Cinco homens sonham com o paço municipal. Dois deles são veteranos com larga experiência na vida pública e anos de cargos eletivos: o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e sua “Gaiola das Loucas”, megacoligação que reúne inúmeros partidos de diferentes matizes ideológicas; e o vereador Gilson Pelizaro (PT), cavaleiro quase solitário que conta com o apoio do PPS e do PCdoB. Outros três são novatos. O professor Cristiano Rodrigues (PV), o advogado e sindicalista Jorge Martins (PSOL) e o camarada Tito Flávio (PCB). Havia outros mais. Bastou o Comércio publicar a primeira pesquisa eleitoral para que muitos potenciais candidatos revissem sua, digamos, “estratégia”. Diante do quadro exposto pelos números que apontavam forte favoritismo do atual prefeito, muitas convicções até então “inabaláveis” ruíram. E alianças, tidas como improváveis meses atrás, são agora fato. Assim, o PSB do deputado Marco Aurélio Ubiali e do vereador Joaquim Ribeiro capitulou para aderir à gaiola tucana. Antes, já tinham feito o mesmo o PTB do vice Ary Balieiro, que havia ensaiado o quanto pôde uma candidatura própria; os Democratas de Gilson de Souza, ele mesmo várias vezes candidato a prefeito; o PMDB do vereador Marcelo Caleiro; além de legendas como PRB, PSDC, PR, PTN e PMN. Todos reunidos sob o manto de Sidnei Rocha, muito mais pela perspectiva da vitória tranqüila e dos frutos que o poder pode render do que propriamente por afinidade ideológica ou programática. Alianças improváveis não são privilégio de Sidnei Rocha. Também o PT surge com um arranjo peculiar neste pleito. Sai unido ao PPS - ideologicamente, tudo bem. O problema é que o vice, André Jorge, havia sido o primeiro a se lançar candidato a prefeito. Queria o lugar que hoje é de Pelizaro. Tentou alianças. Buscou apoios. Sem conseguir, aceitou ir de vice mesmo. O curioso é que nada parece menos PT aos olhos de quem observa do que André Jorge. Advogado, André é um jovem que gosta de bons vinhos, belos carros, ambientes sofisticados. Nada errado, já que é dono do próprio nariz. Só não combina. Até entre os nanicos a situação é inusitada, ainda que pela razão inversa. O camarada Tito Flávio, por exemplo. No site do candidato, exemplar pela clareza - e pelo bom português - os comunistas dizem que lançaram a candidatura porque “entendem o processo eleitoral como um instrumento de diálogo com amplos setores sociais, e priorizam a ação dos movimentos em detrimento do êxito eleitoral”. Fazem amplos e rasgados elogios ao PSOL, do adversário - ao menos em tese - Jorge Martins, a quem saúdam como “(...) uma autêntica candidatura operária e classista”. Assim, além de dizer que a vitória é secundária, admitem que só partem para a candidatura própria para tentar evitar a polarização entre PT e PSDB e, desta forma, maximizar as chances de um improvável segundo turno que conte com a participação do “adversário” Jorge Martins. Política é ambiente para quem tem estômago forte. E memória curta. Na lógica de seus protagonistas, muito mais importante é estar ao lado de quem vai vencer do que correr o risco de perder. Se não for possível, vale tudo para impedir que o inimigo vença. Nenhuma novidade. Tem sido assim há séculos. CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br

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