O coração bate forte, o suor começa a escorrer e você sente até tontura. Medo. Você pode estar no elevador, na cobertura de um prédio ou até perto de uma inofensiva baratinha. Quem nunca sentiu medo? O medo nada mais é que a forma do corpo reagir à sensação de que alguma coisa pode dar errado. Mas, para algumas pessoas, um detalhe totalmente comum pode provocar pânico, terror, horror, ah!
A estudante Ana Lúcia Magrin Moraes, 22, tem “pavor” de borboletas. “Nem sei dizer o que sinto quando vejo uma borboleta.
Pode ser pequena, colorida ou daquelas grandes e feias. Vejo uma e saio correndo. Chego a passar mal de medo”, diz a estudante.
Se você acha a história da Ana Lúcia exagerada, dê uma olhadinha no quadro aí embaixo. Tem quem tenha os medos mais estra-
nhos. Para piorar, esses medos ganharam nomes ainda mais malucos dos especialistas. Há gente que tem medo de olhar para cima, a chamada anablefobia; de alho, a aliumfobia; de mulheres bonitas, a caliginefobia. E, acredite se quiser, até de dinheiro, a chrematofobia.
E quando saber que o medo que você sente é um problema? Se você vê uma nota de R$ 100 e tem vontade de sair correndo, procure um especialista já. Brincadeiras à parte, o medo não pode atrapalhar a sua vida diária. Segundo especialistas, os sentimentos mais normais são quando o pavor tem um objetivo certo, uma situação específica, como, por exemplo, medo de algum animal ou de escuridão. Quando este medo não é incapacitante, em geral, não há com o que se preocupar.
Segundo Marluce Fagundes Carvalho, psicóloga analista comportamental, “é muito complicado diferenciar qualquer tipo de transtorno de ansiedade. O importante é perceber que se isso chega a atrapalhar a vida funcional e o dia-a-dia da pessoa, ou se o sujeito se abstém de fazer alguma atividade e isso lhe causa sofrimento, é importante procurar um médico psiquiatra”, recomenda.
A fobia, por sua vez, é vista como uma forma especial de medo; ela tem as seguintes características: desproporção entre a emoção e a situação que a provoca; medo sem explicação razoável; ausência de controle voluntário e tendência a evitar situações que teoricamente possam trazer desconforto. Freqüentemente este tipo de ansiedade se associa com medo de morrer, de passar muito mal, de perder o autocontrole ou de ficar louco. “Somente a partir do diagnóstico do médico, apontando qual doença acomete a pessoa é que dá pra saber qual tratamento é mais adequado. Às vezes somente psicoterapia resolve, em outros casos é necessário uso de medicamentos”, alerta Marluce Fagundes.
PRONTO PARA BRIGA
Em artigo publicado no site “artigonal.com/psicologia”, a pesquisadora do comportamento humano Carmen Kuroviski explica que o mecanismo de reação de alguém que se enfurece em uma briga e uma pessoa que sente medo é o mesmo. “O coração bate com mais força, aumenta a pressão e a quantidade de açúcar no sangue, a digestão fica paralisada. O propósito deste mecanismo biológico é preparar o corpo para fugir, lutar para assegurar sua sobrevivência”.
Nós, seres humanos, nascemos preparados biologicamente para sentir medo. Segundo os especialistas, a explicação é que esses temores foram importantes para a sobrevivência da espécie humana há milênios.
Moral da história: se você vir aquela barata bem escura batendo as asinhas em sua direção, não entre em pânico. Aproveite seu instinto de sobrevivência e dê aquela chinelada que espalha gosmas verdes pelo chão inteiro para mostrar quem manda.
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