As igrejas católicas de Franca também estão preocupadas com a alta dos alimentos. Com os constantes aumentos de preços, as doações de produtos alimentícios para a montagem de cestas básicas distribuídas aos pobres caíram mais de 25%. Para contornar a situação, as pastorais sociais têm intensificado os pedidos e elaborado novas formas de arrecadação. Uma rifa também foi lançada pela Cáritas Diocesana.
A reportagem entrou em contato com as 13 paróquias da cidade e todas confirmaram a redução nas doações. Seis delas, que juntas doavam mensalmente 507 cestas até maio, conseguiram entregar no último mês menos de 380. As mais afetadas são as paróquias localizadas nas regiões periféricas. O motivo é o aumento dos produtos que compõem a cesta básica que no período dos últimos 12 meses sofreu uma alta de 51,71%.
Na Paróquia São Crispim, no City Petrópolis, 65 famílias devem ser atendidas no próximo dia 26, mas para montar as cestas a equipe coordenada por Lúcia Elena de Santos precisou pedir “socorro” para outras igrejas da cidade. Um show beneficente, em que a entrada era trocada por um quilo de alimento, também ajudou a compor as cestas.
Eunice Graças Miguel, coordenadora do Domingo Fraterno da Paróquia São Vicente de Paulo, na região do Jardim Tropical, conseguia ajudar até janeiro em média de 60 famílias. Atualmente, as beneficiadas não ultrapassam 40. “Com a queda de cestas foi preciso fazer uma seleção para saber qual família está mais necessitada. Fazemos as visitas, mas não é fácil escolher qual será ajudada”, explica.
Entre os produtos que deixaram de aparecer nas doações estão os mais essenciais, no caso o arroz e feijão. A solução encontrada pela Paróquia Menino Jesus de Praga e Santa Ifigênia, no Jardim Pedreira, foi substituir os alimentos. “As doações estão cessando e o arroz e o feijão tiveram que dar lugar ao macarrão, ao fubá e a farinha. Além disso, começamos a pedir alimentos nas fábricas da cidade”, disse a coordenadora Márcia Galo Fofter.
Na Paróquia São Sebastião na Estação, a alternativa encontrada pela pastoral social foi sair às ruas num mutirão de arrecadação. A igreja tem 200 famílias cadastradas, mas com a baixa das doações apenas 30 cestas estão sendo montadas. Antigamente eram preparadas de 50 a 60 cestas mensais.
Para o frei Antônio Benedito Stefani, pároco da Igreja Nossa Senhora das Graças, na região central da cidade, a queda nas doações de cestas básicas preocupa porque a maioria das famílias assistidas não tem de onde tirar o sustento. “As famílias esperam por essa ajuda no final do mês. Os nossos estoques estão vazios, pois somos como um espelho, o que chega já reflete para os mais necessitados”, afirmou frei Dito, como é mais conhecido.
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