Na rede pública, uma em quatro grávidas tem entre 12 e 20 anos


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NAS ESTATÍSTICAS - Uma adolescente do Parque Vicente Leporace que está grávida de nove meses mostra a barriga: bairro é um dos que tem maior índice de gravidez na adolescência
NAS ESTATÍSTICAS - Uma adolescente do Parque Vicente Leporace que está grávida de nove meses mostra a barriga: bairro é um dos que tem maior índice de gravidez na adolescência
Uma em cada quatro mulheres que engravidam e buscam atendimento na rede pública de Saúde tem entre 12 e 20 anos. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde e, apesar de terem diminuído 8% em relação ao ano passado, ainda preocupam. Nos primeiros seis meses deste ano, 353 mulheres nesta faixa etária engravidaram, 40% delas moram na região dos Bairros Leporace, Jardim Aeroporto e Vila São Sebastião. Fatores como pouca escolaridade, baixa renda, início de uma vida sexual precoce e uma família desestruturada, sem o pai ou a mãe presentes, são comuns entre as garotas. “Todos esses fatores associados influem no índice de gravidez na adolescência, mas o principal deles é a falta de uma estrutura familiar. A abordagem dos pais, um diálogo mais aberto sobre os assuntos relacionados a sexo, pesam bastante”, disse Kênia Cristina Souza Mercês, enfermeira responsável pelo Projeto Saúde da Mulher. Moradora da Vila São Sebastião, onde fazem o pré-natal neste ano 39 grávidas adolescentes, Daiane Fernandes da Silva, 19, faz parte das estatísticas. Ela engravidou pela primeira vez aos 13 anos. Com o apoio da família, foi morar junto com o namorado, que na época tinha 18 anos. “Foi um susto, eu era uma criança, não sabia nem como funcionava os métodos contraceptivos e tive que virar uma mulher. A sorte foi a ajuda das nossas famílias” diz. No ano passado, Daiane ficou um período sem tomar o contraceptivo pois não estava se sentindo bem e, com apenas 18 anos, engravidou novamente. “Não foi planejado, mas, agora apesar de ainda ser jovem, estarei mais madura para cuidar do meu segundo filho”, diz. Com um bebê de 5 meses e um garoto de 6 anos para cuidar, Daiane pretende tomar mais cuidado. “Chega né, ser mãe é muito bom, mas dá trabalho demais”. As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) localizadas nos Bairros Leporace e Aeroporto III também registraram um alto índice de gestantes adolescentes, 45 e 49 pré-natais, respectivamente, foram feitos nesta faixa etária desde o início do ano. Os bairros que menos tiveram grávidas jovens foram os do Jardim Paulistano, com 12 garotas, Parque Progresso, também com 12 e Santa Terezinha com 13 meninas. Para o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, a menor concentração de gestantes adolescentes nesses bairros é porque neles residem um menor número de jovens. “Não tem um motivo específico para o menor índice nesses bairros. Na verdade, ele acompanha o total de população jovem. O maior número de grávidas está nos bairros com maior população adolescente e vice-versa”. [FOTO2] Para reduzir a gravidez precoce, a Secretaria de Saúde tem incentivado à procura pela distribuição gratuita de camisinhas masculina e feminina, DIU e pílulas anticoncepcionais. Programas educacionais e preventivos realizados em pontos de atendimento à população também são feitos mensalmente. “Nós fazemos trabalhos de prevenção com médicos, enfermeiras, orientadores do DST-AIDS em escolas, centros comunitários, igrejas e unidades básicas de saúde”, disse o secretário.

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