Jovem sofre com síndrome de Peter Pan


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Rogério Manoel sofre de doença que o impede de crescer e se desenvolver normalmente. Com 28 anos, tem aparência de 10. Família precisa de ajuda, mas tem de esperar decisão da Justiça, que depois de oito anos ainda
Rogério Manoel sofre de doença que o impede de crescer e se desenvolver normalmente. Com 28 anos, tem aparência de 10. Família precisa de ajuda, mas tem de esperar decisão da Justiça, que depois de oito anos ainda
Mesmo perto de completar 30 anos, Rogério Manoel Jacinto de Oliveira ainda vê o mundo com os olhos de uma criança de 10 anos. Ele sofre de uma doença chamada hipopituitarismo (popularmente conhecida como síndrome de Peter Pan), que provoca a deficiência de produção dos hormônios de crescimento, que o faz parecer e agir como uma criança, mesmo tendo 28 anos de idade. O mal foi descoberto quando Rogério tinha 7 anos. Desde então, a família simples vem buscando tratamentos, nenhum ainda eficaz. Vinte e um anos depois, o homem menino sofre. Ele vive numa casa simples de três cômodos sem forro, no Jardim Esmeralda, com a mãe, Rita Modesto de Oliveira, o pai, Osmar Jacinto de Oliveira, mais três irmãos e uma pequena sobrinha de 1 ano. Ninguém na casa tem emprego. A família sobrevive com doações de comida e com a venda de produtos recicláveis que todos catam pelas ruas, o que gera cerca de R$ 200 por mês. Ver a inocência de uma criança num homem que já viveu 28 anos é tocante. No chão da cozinha, estão vários bonecos de heróis que, apesar da feição sempre tristonha do homem-menino, o divertem. Os amigos se restringem a dois, Maicon e Eder, que somando as idades não dão a de Rogério. Eles se encontram para jogar video-game. Por várias vezes, Rogério, apesar da doença, tentou conseguir emprego para ajudar a família. Mas sua condição física e mental o impediu. No ano passado, conseguiu um meio de ajudar na renda da família, mas acabou desistindo. “Eu saía cedinho para o pasto pegar estrume de vaca. Tinha que esperar um tempo até secar, pegava o esterco (sem luvas) e depois vendia para fabricar adubo. Conseguia cerca de R$ 5 por quilo. Mas outras pessoas desempregadas fizeram a mesma coisa e já não estava compensando”, disse. Rogério sofre também com o preconceito. Por causa da sua estatura de pouco mais de 1,30 metro, é obrigado a lidar com apelidos como anão, pequeno e até “escadinha para apanhar abacaxi”. “De dois anos pra cá que ele começou a sair na rua. Antes, ele ficava trancado em casa o dia inteiro, não comia, era um sacrifício. Mesmo assim, ainda tem pessoas que fazem isso, ele diz que não liga, mas sei que fica incomodado”, disse sua mãe. Outro momento de dificuldade foi há cinco anos, quando Rogério desenvolveu síndrome do pânico, vinda de profunda depressão. “Qualquer barulhinho mais alto ele saía correndo, chorava, era um custo fazer ele ficar calmo”, disse Rita. A situação ainda continua difícil. No fogão, repousa uma sobra de sopa de fubá. Rita, que não parou de sorrir um minuto durante a reportagem, oferece a comida e café aos repórteres como as únicas opções que tem a dar. Mas, ao contrário da mãe, os sorrisos de Rogério são escassos. Apesar de tudo, ele se diz feliz. “Tem tanta gente pior, que não consegue andar, falar, enxergar. Eu estou satisfeito”. Quando perguntado se tem um sonho, Rogério é categórico. “Se eu pudesse sonhar, eu seria um bombeiro para ajudar as pessoas, coisa que eu sempre quis, mas por conta deste problema, nunca consegui”, disse. Para tentar reforçar a renda, a família entrou na Justiça. Há oito anos, tenta receber um benefício de prestação contínua, mas até o momento ainda não conseguiu resultado. “É tudo muito difícil, mas temos fé”, disse a mãe.

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