Até 7 de julho de 2007, Juliana Maria dos Santos, 32, que trabalha como auxiliar de limpeza, não conhecia nada de construção. A história mudou depois de ser contemplada pelo projeto de moradias em sistema de mutirão e se ver obrigada a construir a própria casa. Ela é uma das contempladas pelas 72 casas da primeira etapa do mutirão do Jardim Santa Bárbara.
Há um ano, Juliana acorda cedo todos os fins de semana para ajudar nas obras como servente dos pedreiros durante o dia inteiro. Como está de férias, tem ido ao canteiro de obras durante a semana também. “Não sabia nada, mas, com o dia-a-dia, fui adquirindo prática. Fazemos de tudo: carregamos materiais, preparamos massa, jogamos tijolos. De tudo mesmo”, disse ela, que ajuda a construir o lar onde vai morar com três filhos menores de 15 anos.
O trabalho dos futuros moradores do Santa Bárbara movimenta o bairro no sábado e domingo. Cerca de 60 pessoas se reúnem para construir as casas. Homens, mulheres e crianças acompanham as obras. A doméstica Gláucia Inácio, 38, conta com ajuda do filho de 19 anos no mutirão. Outro filho, de 12 anos, aproveita as férias para acompanhá-la, mas ele não coloca a mão na massa. “Ele é menor e não pode ajudar. Mas dá apoio moral”, disse Gláucia. Como está desempregada, ela tem construído durante a semana também. “Quero ajudar bastante para agilizar”.
O programa AutoConstrução exige que a mão-de-obra seja da família. Os pedreiros orientam as obras. Os mutirantes precisam cumprir regras, caso contrário serão transferidos para a próxima etapa da construção das casas no Santa Bárbara, que começará só em 2009. “Nestes casos, outras famílias substituem os transferidos”, disse Nicola Costa, diretor técnico da Prohab.
REGRAS
Os contemplados com os imóveis devem cumprir 20 horas semanais na construção aos sábados e domingos ou durante a semana. Eles só têm direito a quatro faltas durante o projeto. É obrigatória a participação da família. “Há casos em que a pessoa tem marcapasso e não pode segurar peso nem fazer muito esforço. Mesmo assim, pedimos para ir até o mutirão e ajudar em serviços mais leves, como olhar a casa de materiais”, disse a superintendente da Prohab (Habitação Popular de Franca), Valéria Marson.
Parcerias firmadas entre a Prohab e outras entidades permitirá trabalhos paralelos com os mutirantes. A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social, por exemplo, oferecerá cursos de geração de renda e o Sesi aulas do Programa Alimente-Se Bem.
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