Sonho adiado


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Depois de um ano, casas do Santa Bárbara estão apenas com paredes: atraso
Depois de um ano, casas do Santa Bárbara estão apenas com paredes: atraso
As casas construídas em mutirão no Jardim Santa Bárbara começaram a ser feitas no dia 7 de julho de 2007. Um ano depois, apenas as paredes estão levantadas. Segundo os pedreiros que trabalham nas obras, os doze meses seriam suficientes para chegar à fase de pintura. A expectativa era que as famílias se mudassem para os imóveis neste mês, mas ainda terão de esperar um bom tempo para viver na casa própria. A construção deve se estender por pelo menos mais seis meses. A previsão é entregar as unidades em dezembro. Os imóveis são construídos pelos próprios moradores. Pedreiros auxiliam nos serviços. A superintendente da Prohab (Habitação Popular de Franca), Valéria Marson, disse que o atraso ocorreu porque os trabalhos em mutirão estavam desorganizados e o terreno precisava de adequações por ser muito inclinado. Quando assumiu a Prohab em abril (Vanderlei Tristão, então superintendente, se afastou do cargo para se candidatar), promoveu mudanças para tentar agilizar a construção. “O projeto estava descoordenado. Precisamos fazer alterações. O terreno é muito íngreme e foi necessário acertá-lo e construir muros de arrimo”. A sistemática do mutirão também foi alterada. Antes as famílias trabalhavam divididas em grupo, agora todas juntas. “O mestre-de-obras e pedreiros agora não só auxiliam os mutirantes, como trabalham na construção. Está mais ágil. Estamos com 24 casas para cobrir; quando assumi apenas duas se encontravam neste estágio”, disse Valéria Marson. O atraso também ocorreu porque o canteiro de obras ficou quase três meses sem pedreiros. O contrato com os profissionais é de seis meses e não pode ser renovado. Após o primeiro vencimento, foi preciso esperar pelas novas contratações. As casas feitas em mutirão contemplarão famílias de baixa renda que vivem em barracos de madeira e/ou ocupam áreas públicas. O programa se chama Auto Construção. Nele, a Prefeitura doa o terreno e a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) financia os materiais de construção. As famílias começarão a pagar as prestações depois que se mudarem. Ao todo, serão contempladas 160 famílias. A primeira etapa prevê a construção de 72 unidades, mas, destas, apenas 24 estão em andamento. As outras deverão começar a ser feitas nas próximas semanas. A segunda etapa, com 88 imóveis, está prevista para 2009. “Dependemos da CDHU liberar a execução das obras. Começaremos no ano que vem. Não podemos começar tudo de uma vez. É preciso fazer aos poucos, com organização”, disse Valéria. EM BUSCA DE UM SONHO Há um ano, a auxiliar de limpeza Juliana Maria dos Santos, 32, ajuda a construir o futuro lar dela e de seus três filhos de 15, 10 e 2 anos. A expectativa de ter a casa própria já dura 13 anos, desde que se inscreveu na Prohab. Juliana participou de vários sorteios antes de ser contemplada com os imóveis do Jardim Santa Bárbara. Ela está decepcionada com o atraso da construção, mas não perdeu as esperanças. “Fiquei frustrada com o atraso das obras. Só me sinto mais aliviada porque está em andamento. Sei que pode demorar mais, mas um dia vou ter uma casa minha e dos meus filhos”, disse. Até a residência ficar pronta, Juliana continuará morando de favor, em três cômodos nos fundos da casa de sua mãe, no Parque Progresso. Quando se mudar, vai ter mais conforto para viver com a família. A nova casa terá dois dormitórios, sala e cozinha. A doméstica Gláucia Inácio, 38, sonha terminar a construção para se livrar do aluguel. Ela paga R$ 200 por uma casa no Jardim Brasilândia, onde mora com quatro filhos, entre 1 a 21 anos de idade. “Meu maior sonho é ter a casa própria”, disse ela, que passou a ajudar a construir a futura casa há dois meses. “Sou suplente. Uma família foi transferida para a segunda etapa das casas e eu pude começar a participar do mutirão”. Depois de vencerem os imprevistos das obras com falta de pedreiros e desorganização, os mutirantes precisam torcer para as chuvas de verão não atrasarem mais o sonho de ter a casa própria.

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