Artes em PET


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De longe a casa dos artesãos Luiz Ribeiro e Orlando Natal (tio e sobrinho), se destaca entre as outras. Objetos coloridos enfeitam o alpendre e chamam a atenção de quem passa pela Rua Máxima Conceição Guimarães, em Rifaina. Os números também impressionam: em oito anos eles já utilizaram 7 milhões e 800 mil garrafas PET para produzir bolsas, mochilas, cadeiras, redes, porta-retratos, abajures e tudo o que a imaginação deles permite. Até a cachorrinha Dila desfila com uma coleira ecologicamente correta. Tudo começou em 2000, quando Luiz Ribeiro participou de um amigo oculto e presenteou a então primeira-dama com uma fruteira artesanal. “Eu queria dar um presente diferente, mas não imaginei que a fruteira ia fazer tanto sucesso entre as mulheres rifainenses”, disse. Hoje eles já colecionam 86 itens, e o mais recente lançamento é um porta-papel higiênico que custa R$ 50. O porta-latinha, vendido a R$ 5, é o que faz mais sucesso, principalmente entre os “baladeiros de plantão”. Os artesãos pensam até nos mais exigentes que gostam de conforto: o produto mais caro é uma rede confeccionada com 1.860 garrafas e que custa R$ 480. Quando a gente pensa que acabou, lá vem Orlando com mais produtos que estavam guardados dentro da casa. Porta-jóias, porta-retrato, vassoura, chapéu, pufe, oratório, abajur, cadeira, mochila, cortina, quadro, tudo feito com garrafas PET, costurado com linha indiana e enfeitado com cola e tinta. Os modelos das bolsas são os mais diversificados. Elas aparecem pequenas, grandes, coloridas, bicolores e com alças diferentes. Podem ser de praia - feitas com 36 garrafas - ou sociais - 56 garrafas. Com a habilidade adquirida ao longo dos anos, os artistas conseguem fazer duas bolsas por dia. PROCESSO E PROJETOS As garrafas PET são escolhidas a dedo. Na hora de comprar, com os catadores da cidade ou num ferro-velho de Franca, os detalhes são importantes. “A garrafa não pode estar riscada, nem cortada. Procuramos também materiais que têm uma cor diferente”, explica Ribeiro, ressaltando que existe um segredo para dar maciez e maleabilidade ao material. Dividida em três partes, a garrafa é aproveitada de várias maneiras: o bico é usado para o artesanato, o fundo para os enfeites natalinos e o corpo para as bolsas. Mas o importante mesmo é o trabalho de reciclagem que os artesãos fazem tirando as garrafas da natureza. “É um prazer imenso trabalhar em prol do meio ambiente, ainda mais fabricando produtos com qualidade e que têm aceitação no mercado”, ressaltam. Para manter a renda salarial, que varia de R$ 3 mil a R$ 12 mil por mês, há dois anos Luiz Ribeiro e Orlando Natal resolveram ensinar a sua arte. O curso, que tem duração de uma semana, já foi ministrado em várias cidades da região e vai muito além do artesanato. “Recentemente em Bebedouro uma moça que estava com depressão e não saía do quarto havia três meses participou do nosso curso e melhorou. A mãe dela ficou muito agradecida. Isso é muito gratificante”, contam. Tio e sobrinho já pensam nos próximos projetos. Para aproveitar o clima quente e aconchegante do balneário e passear pelas águas do Rio Grande, nada melhor que uma jangada exclusiva feita apenas de garrafas PET. “Queremos também divulgar a nossa arte pelo Brasil e mundo. Eu tenho um primo que mora em La Paz, na Bolívia, e se tudo der certo vamos para lá”, planeja Ribeiro. Até lá, os artesãos trabalham no projeto do Natal Iluminado de Rifaina. “Vamos ministrar um curso e todos os alunos vão aprender confeccionando os enfeites que vão decorar a cidade. Ela vai ficar linda”, finalizam.

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