Briga de cachorro grande


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Isso é o que eu chamo de “briga de cachorro grande”. E acredito que não exista hoje, na imprensa brasileira, briga tão interessante quanto a protagonizada pela revista “Veja” e a “TV Globo”. Sob o título “Curral Eleitoral”, a revista, em sua edição 2.051, página 90, entrou de sola na maneira como a Globo faturou em cima daquela bobagem de “Big Brother Brasil”. E disse, com todas as letras: “As votações movimentam uma bolada” e “a Globo divide com as Companhias Telefônicas parte dos lucros dos torpedos (de celulares); a cada “paredão” obtém até 300 mil reais, o suficiente para cobrir os custos operacionais da votação”. O fantástico lucro da emissora viria, logicamente, da publicidade em torno do movimentado programa. Não é pra me gabar não, mas eu já havia percebido há muito tempo essa inteligente (para não dizer fraudulenta) jogada milionária. Não havia ainda essa briguinha que já está virando brigona. Agora que virou realidade, eu me pergunto: quem sou eu, simples mortal, para dar palpite nessa briga das poderosas? Ainda assim, vamos lá: aos amigos mais chegados eu cansei de dizer que a Globo está faturando uma nota com os telefonemas e torpedos recebidos no programa BBB, como aliás, aconteceu na última edição, em que nada menos que 64 milhões de zelosos e tolerantes telespectadores (novo recorde, segundo a revista) gastaram seus ricos centavos mandando votos para a emissora. E como o pessoal da revista acha que sabe tudo (quando não sabe, inventa), que descobre tudo, acabou descobrindo ou ouvindo também a minha conversa com os amigos e descortinou a história do grande lucro que a Globo obtém em sociedade com as Telefônicas. Agora, novamente, a revista do dia 9 deste mês (nº 2068), na matéria intitulada “Chamado à Realidade”, escrachou, de uma só vez com a Ana Maria Braga, com o Pedro Bial e com o Boninho, que sempre foram ídolos da Globo. Diz a matéria que “Ana Maria Braga transformou-se num ícone platinado do apresentador Pedro Bial” e que a concorrência da Globo com outras emissoras “já vitimou uma loira ilustre, Xuxa Meneghel”. E acaba por vaticinar (como sempre, ela quer adivinhar o futuro) o fracasso da outra loira: “o caso de Ana Maria também inspira cuidados”. E a loira do “Mais Você” acabou chorando em pleno programa após ler a matéria. Não bastasse essa pauleira toda, é bom relembrar que há muito pouco tempo o William Bonner foi moralmente agredido numa crônica do elitista Diogo Mainardi, na mesma revista. E o “dono” do Jornal Nacional se calou, me deixando a matutar: ou eu sou burro, ou não entendo mais nada do que seja honra. Penso jornalisticamente - e eu sou muito antigo na minha maneira de pensar jornalisticamente - que se não houver um revide à altura da emissora, ou dos agredidos, seria melhor a diretoria da Globo enfiar a viola no saco e largar desse negócio de televisão. E montar uma indústria de auto-peças para não ter que polemizar com ninguém. Ou de calçados aqui em Franca, quem sabe? Seria, sem dúvida, muito mais cômodo... Henrique O. Marconi Advogado tributarista, francano, autor de livros, residente em Santos/SP

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