Corra que a polícia vem aí


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Gostaria muito de estar aqui escrevendo sobre coisas amenas e bonitas, que enchem nossos corações de paz e alegria, mas, basta folhear o Comércio ou ligar a Rádio Difusora e pronto: vem uma enxurrada de notícias ruins ou péssimas, vindas de todos os setores da nossa comunidade e de todas as partes do Brasil. Este País é um prato cheio para a mídia que nunca vendeu e ganhou tanto como neste período que atravessamos. De uns tempos para cá, não só a inflação, o custo de vida, o preço dos alimentos, dos remédios, dos demais gêneros de primeira necessidade aumentaram espantosamente, mas também e em grande proporção, os crimes comuns, os escândalos e as falcatruas de banqueiros, empresários e políticos, a violência urbana e rural, destacando o despreparo da polícia que traz das telas do cinema para a realidade o alerta: “Corra que a polícia vem aí”! Agora, os holofotes se viraram para a alta cúpula do Judiciário que não se entende intra-muros, com o seu escalão menor e com a polícia federal, trazendo à tona a fumaça e as cinzas de uma fogueira de vaidades que deslustram e desacreditam aquela que deveria ser a coluna mestra, o poder moderador e responsável pela manutenção da segurança, do Estado de Direito e da democracia de nosso País. Como se pode assobiar a Internacional sem ser molestado se a democracia nos oferece um espetáculo tão deprimente, sintetizado na fronteira borrada entre o noticiário policial com o político? Todos estes acontecimentos são preocupantes, mas, aqueles do segundo parágrafo, não são novidades e já estamos tão acostumados que não nos chamam mais a atenção, o que é errado, mas, já cansei de criticar e reclamar desta apatia geral, sem sucesso. Victor Hugo dizia que “uma sociedade de ovelhas acaba gerando um governo de lobos”. Agora, quando se mistura a sujeira de banqueiros, políticos, empresários e seus capangas com membros do Poder Judiciário e da Segurança Pública, acende-se o alerta vermelho, porque corremos o risco de ver desbarrancar todas as nossas instituições e sermos sufocados pela lama fedorenta que vai escorrer deste choque. E não adianta correr, porque as balas perdidas são mais velozes. Como compensação, vira-se manchete nos jornais. Lamentável sob todos os aspectos este desentrosamento ou emparedamento do Judiciário que se vê desmoralizado, também sob a ótica popular, levando a crer ou transparecer que faça parte de toda esta malha de corrupção que está destruindo e envergonhando nosso País, não aos olhos dos outros, porque para eles, continuamos “índios” e fazemos apenas o que sabemos fazer, mas, por nós mesmos e nossas famílias porque passaremos por maus momentos, piores do que estes que enfrentamos, apesar das mentiras presidenciais, se as cosias não se acertarem. Odorico Antônio Silva Advogado

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