Francana ajuda pôr Cacciola na cadeia


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MULHER DE PULSO - A procuradora federal Raquel Branquinho cresceu pobre na região, estudou em Franca e ganhou notoriedade nacional ao enfrentar poderosos pelo País
MULHER DE PULSO - A procuradora federal Raquel Branquinho cresceu pobre na região, estudou em Franca e ganhou notoriedade nacional ao enfrentar poderosos pelo País
Entre os responsáveis pela investigação que resultou na condenação do ex-banqueiro Salvattore Cacciola, 64, recolhido desde ontem ao presídio “Ari Franco”, no Rio de Janeiro, está uma francana. Trata-se da procuradora da República Raquel Branquinho Pimenta Mamede Nascimento. Integrante do Ministério Público Federal há dez anos, ela participou das investigações, do colhimento de provas e do relatório que terminou com a condenação de Cacciola a 13 anos de cadeia por gestão fraudulenta de instituição financeira. O caso ganhou repercussão internacional (leia mais no Caderno Brasil). Raquel está em férias na casa de uma irmã, no Centro de Franca. Concedeu, ontem, entrevista exclusiva ao Comércio da Franca e participou, ao vivo, do programa Difusora Notícias, da Rádio Difusora AM (1030 kHz). Disse estar “aliviada” com a prisão do ex-banqueiro, pedida por ela em 1999, quando atuava no Rio de Janeiro. Atualmente, a procuradora trabalha em Brasília, para onde volta no domingo. Satisfeita com a prisão de Cacciola, Raquel disse que, ao mesmo tempo, está apreensiva e descrente na Justiça. Sobretudo com a possibilidade de ele obter uma liminar em eventual ação de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) e escapar da prisão, em liberdade condicional. “Não é impossível que isso (a libertação) seja concedido pela Justiça. Mas a sociedade e a opinião pública precisam pressionar”, disse Raquel. A francana, a julgar por outras ações, é uma procuradora que incomoda. Em junho último, ajuizou ação civil pública contra o ex-presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Paulo de Tarso Lustosa, e o ex-coordenador de logística da instituição, Paulo Roberto de Albuquerque Garcia Coelho, por improbidade administrativa. Na ação, pede a devolução de R$ 56,6 milhões aos cofres públicos. A inquietude gera algumas desavenças com figuras poderosas, como o presidente do STF, Gilmar Mendes, que recentemente, em entrevista publicada pelos jornais O Globo, do Rio de Janeiro, e Correio Braziliense, a acusou, junto com outros procuradores federais, de “usar a Lei de Improbidade para fins políticos, pessoais ou corporativistas”, por conta de diversas ações interpostas por Raquel. Outro caso ocorreu em 2005, quando o então senador paraibano Ney Suassuna (PMDB), à época acusado por Raquel Branquinho de participar de esquemas de corrupção, disse que a procuradora francana “o persegue”. PERFIL Raquel Branquinho Pimenta Mamede Nascimento nasceu em Franca no dia 22 de outubro de 1970. Com os pais, na infância e adolescência, morou em Igarapava, Patrocínio Paulista e Cristais Paulista, estabelecendo-se novamente em Franca aos 16 anos, para cursar o ensino médio na Escola Estadual Torquato Caleiro, onde concluiu os estudos secundários em 1988. Aprovada no curso de Direito da Unesp, campus de Franca, trabalhou no banco BCN e, posteriormente, no Fórum “Alberto de Azevedo”, servindo como escrevente na 1ª Vara Cível. Raquel Branquinho se formou em 1993, sendo colega de turma do atual procurador da República em Franca, João Bernardo da Silva. Em 1997, foi aprovada no concurso público para a Procuradoria da República, transferindo-se para Campinas. Em 1999, foi transferida para o Rio de Janeiro. Está em Brasília desde 2003, atuando nas investigações contra crimes de improbidade administrativa e desvio de recursos públicos.

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