A falta de chuva e o clima frio têm deixado a região de Franca em estado de atenção. Devido à baixa umidade do ar, o clima está seco e as doenças respiratórias têm se alastrado com facilidade. Nos últimos dias, os índices de umidade do ar registrados pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) têm sido de 25% e o número pode baixar ainda mais. Recomenda-se evitar exercícios físicos durante a tarde e freqüentar locais aglomerados.
A explicação para o ar seco é a ocorrência de um fenômeno conhecido como bloqueio atmosférico, que desvia massas de ar frio para o oceano. A massa polar tenta avançar, mas acaba impedida por uma barreira de poluentes que não consegue se dissipar. Com a falta de chuvas, a situação fica ainda mais complicada. Em Franca, o último registro aconteceu no dia 25 de junho.
“Os mecanismos que trazem chuvas não têm forças para furar esse bloqueio, por isso o clima está com características de deserto e deve continuar assim por mais alguns dias”, disse o meteorologista do Inmet, Franco Vilela. Na madrugada de quarta para quinta-feira, a temperatura atingiu mínima de 11 graus.
Para a tarde de ontem, a previsão era que a umidade atingisse índice abaixo dos 25% por conta dos ventos. O registro não foi confirmado. “Há ausência de nuvens, o sol está forte e as temperaturas à noite mais amenas. Tudo isso favorece a massa de ar seco”, explicou Aline Tochio, do ClimaTempo. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a umidade relativa entre 20% e 30% é considerada estado de atenção, pois ela indica como adequada para a saúde das pessoas a umidade relativa do ar em torno de 60%.
DOENÇAS
Com dias quentes, umidade do ar baixa e noites frias, a população, em especial crianças e idosos é a principal atingida. Farmácias, postos e unidades de saúde têm o movimento duplicado em razão do aumento de doenças respiratórias. Em Pedregulho, a farmacêutica Roseli Martins Sanches tem vendido em média 12 unidades de soro fisiológico por dia. A procura por umidificadores também cresceu.
“Desde maio, a venda de umidificadores, xaropes antialérgicos e soros para ajudar a evitar o ressecamento de olhos e narinas está acima do normal. Em outras épocas, vendo menos que a metade”, disse Roseli.
O posto de saúde de Rifaina também está com a movimentação acima do normal. São de oito a dez diagnósticos de resfriado por dia. “A resistência em crianças e idosos é menor, por isso ocorrem muitos casos de resfriado e garganta inflamada. Além de fazer o atendimento, também damos as orientações necessárias”, disse o enfermeiro-chefe Ricardo Ribeiro Almeida.
Na pediatria da unidade de saúde de Cristais Paulista, o número de crianças triplicou. Somente na última semana, 60 crianças por dia passaram pelo local. Normalmente essa média não ultrapassa 20 atendimentos. “Já tivemos até caso de pneumonia. As mães estão muito preocupadas com o clima seco”, disse a enfermeira Rose Bertanha.
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