Na contramão da história


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Esta terra que já foi chamada de Monte Pascoal parece ser mal resolvida desde o avistamento daquelas costas marítimas baianas. Sabe-se que o lusitano Cabral e sua expedição barbeiraram em suas coordenadas tentando chegar as Índias, perderam-se e, encontraram... o Brasil! A “descoberta” ficou meio para lá por algum tempo, já que as relações comerciais com o Oriente eram mais importantes para Portugal. O “feito” de Pedrito não entusiasmava tanto. Mais tarde, despertados para a nova terra e as possíveis oportunidades de exploração e lucro; deu-se o povoamento “inicial” de nossa Pátria amada com os chamados “degredados” - a escória da sociedade portuguesa composta de estupradores, assassinos, ladrões, fraudadores, corruptos e corruptores; sem contar outras estirpes de criminosos não catalogados que também sofreriam o banimento de Portugal com destino à nova terra. Há de se concluir, então, que a população criminosa de Portugal ao ser banida e trazida para cá gozaria a liberdade nesta terra tupiniquim rica em metais preciosos, madeiras nobres, clima tropical, paisagens paradisíacas e de quebra, ainda teriam belas indiazinhas para miscigenação da raça... Até mesmo para punir, os portugueses eram notáveis... Voltemos ao mundo moderno, onde foi possível testemunhar nos noticiários televisivos, nos jornais e revistas, gente que sofre com “banimentos” do seio da sociedade mais severos e rigorosos que os de antigamente - como são estes de ter a liberdade de ir e vir restringida apenas por “supostamente” não reunir condições morais suficientes ou por estar envolvido em algumas ilegalidades. Ora! Convenhamos! Que “injustiça” é esta praticada contra nossos irmãos?! Ao vermos Nahas, Pitta e o Daniel Dantas com seus agregados serem presos e algemados espetacularmente ainda na madrugada quando dormiam o sono dos “justos” em seus asilos invioláveis ao lado de suas sagradas famílias foi horrível... Aquilo foi de chocar qualquer cristão. Jamais esquecerei em toda minha efêmera vida tal “injustiça” cometida contra cidadãos brasileiros que tão somente buscam crescer na vida. Talvez motivados pelo arraigado histórico-genético de um povo tão “nobre” em suas origens que de tão envolvente, influenciaria e vitimaria até o “pobre” Nahas, de outra nacionalidade. Impossível esquecer, pois era comemorado o Dia da Pizza quando a “justiça” foi restabelecida nesta “grande pátria”; os abusos seriam desfeitos, secariam-se as lágrimas, colocando-se os pingos nos “is” pelo menos para Dantas, o mais fragilizado e atingido em sua honra; o mal-entendido teria que ser desfeito. E foi assim, com a decisão suprema do titã mato-grossense Gilmar Mendes, presidente do STF nomeado ministro pelo então presidente FHC, dando seu veredicto e determinando a soltura - uma, duas vezes! Para não pairar dúvidas. Está claro que a honestidade e a justiça estão mesmo é na contramão da cultura cultivada no Brasil, como já dizia Rui Barbosa: “ De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Ricardo Veríssimo Júnior Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e do Comércio

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