Mulher, com idade entre 45 e 59 anos e ensino fundamental incompleto. São elas que terão peso maior na hora de decidir, em Franca, quem assumirá os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereadores nas eleições de outubro. A estatística, divulgada na terça-feira, 15, pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral), reúne os perfis dos eleitores de todos os municípios do Estado de São Paulo, com base nos dados dos inscritos nos cartórios eleitorais.
Em Franca, o cenário para as eleições municipais não é muito diferente de dois anos atrás, quando foram eleitos presidente, governador, senadores e deputados estaduais e federais. O eleitorado feminino continua maior e representa quase 10% a mais que o masculino. Das 209, 7 mil pessoas que vão às urnas, 108,4 mil são mulheres.
Além de feminino, a grande maioria dos eleitores - mais de 80% - tem até 59 anos. O estudo aponta, ainda, que quase metade das pessoas aptas a votar não conseguiram completar o ensino fundamental. E, embora seja facultativo o voto aos analfabetos, mais de 4 mil estão com os títulos em dia e aptos a participar do pleito.
Raphael Barros, diretor do Datalink (Instituto de Pesquisa de Mercado), disse que Franca segue a tendência das maiores das cidades brasileiras. “É uma característica demográfica. Você tem um equilíbrio populacional entre os sexos, mas as mulheres ainda são em número um pouco maior e, conseqüentemente, têm maior representatividade eleitoral”.
Para o chefe do cartório da 46ª Zona Eleitoral, Marcelo Queiroz, as mulheres geralmente são mais preocupadas em manter a documentação regularizada e comparecem aos cartórios em maior número quando há convocação para atualização cadastral. “Além de serem mais organizadas, a expectativa de vida da mulher é maior”, disse.
A doceira Augusta Donizete Lemes, 50, enquadra-se no perfil mais representativo do eleitorado, tanto em idade como em escolaridade. E confirma o que disse Queiroz, ao garantir que sempre manteve o título atualizado e nunca deixou de votar. “Acho que é um dever nosso. Embora muitas vezes desacreditamos dos políticos é preciso tentar mudar por meio do voto”, afirmou.
Em uma depuração mais ampla dos dados do TRE - estendida a dez cidades da região - constata-se um efeito inverso. Além de Franca, somente Batatais tem mais mulheres que homens. Nas outras cidades, o voto masculino ainda prevalece.
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