Eles não temem distâncias, nem obstáculos. Correm para superar todas as barreiras, apesar de não enxergarem. É assim, com muito esforço e dedicação, que sete corredores do atletismo para deficientes visuais conseguiram conquistar o terceiro lugar geral nos Jogos Regionais, em Jaboticabal, neste mês. Agora eles querem disputar mais competições e entrar no ranking da CBDC (Confederação Brasileira de Desportos para Cegos).
Esse grupo compõe a equipe francana de atletismo para deficientes visuais e com três anos em participações nos Regionais conseguiu melhorar a somatória de medalhas e apresentar evolução nos resultados. Em 2007, oito atletas - três mulheres e cinco homens - terminaram a competição na quinta colocação, com nove medalhas, sendo quatro de ouro. Neste ano, foram sete competidores que trouxeram dez medalhas, cinco de ouro.
O técnico do grupo, Jefferson da Silva Nascimento, também atleta da equipe francana de atletismo, não esconde a alegria com os últimos resultados. "Houve bastante dedicação de todos. Também tivemos mais tempo para treinar. Em 2007, começamos apenas três meses antes dos Regionais e desta vez tivemos um ano praticamente. Todos melhoraram seus tempos", disse.
A melhora na performance garantiu Mariel Verzola Camponez, 21, Edmílson dos Reis, 29, Wellington de Oliveira, 32, e Leonardo da Silva de Sales, 25, nos Jogos Abertos, a "Olimpíada Caipira", que será realizada em Piracicaba, neste ano.
A evolução nos resultados também faz o treinador pensar em projetos maiores. A equipe foi criada há três anos apenas para disputar os Jogos Regionais e Abertos, mas a partir de 2008 ao menos três competições devem entrar no calendário. Uma delas acontecerá em Bragança Paulista, em outubro, e será promovida pela equipe Rede Atletismo. "Para o campeonato da CBDC não temos mais como ir porque as etapas regionais já aconteceram. Nossa meta é entrar neles a partir de 2009", revelou o treinador.
Agora falta à equipe. Por competição, que geralmente dura três dias, o time gasta cerca de R$ 1.500. Atualmente, só a Prefeitura mantém apoio à equipe e oferece auxílio mensal de R$ 200 aos atletas. Mesmo assim, nem sempre o dinheiro é pago todos os meses.
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APOIOS
Para reunir patrocínio e dar o retorno a empresas apoiadoras, além de resultados, a equipe terá o apoio da SFITC (Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos). A entidade está filiada à confederação brasileira e recentemente regularizou sua matrícula na CBDC para que os atletas possam disputar as competições oficiais.
Segundo o presidente da sociedade, Homero Alves de Oliveira, 58, o atletismo e a natação são os esportes que mais têm dado resultados positivos entre os praticantes cegos. "O esforço deles é comovente", avaliou o presidente.
A Sociedade para Cegos fechou recentemente um contrato com a empresa de telefonia móvel Vivo para reformar seu ginásio de esportes e será construída uma pista de atletismo. Isto ajudará diretamente no apoio aos atletas corredores. O custo da obra deve ficar em R$ 90 mil e tem entrega prevista para novembro deste ano.
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