Abandonado e esquecido, Posto Modelo vira lar para marginais


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POSSE INDEVIDA - Grupo de desempregados aproveita desleixo oficial e toma posse de mais um prédio público, levando sujeira, brigas e insegurança aos vizinhos
POSSE INDEVIDA - Grupo de desempregados aproveita desleixo oficial e toma posse de mais um prédio público, levando sujeira, brigas e insegurança aos vizinhos
Depois de sofrer um grave processo de depredação, o antigo Posto Modelo, na esquina da Avenida Dr.Ismael Alonso y Alonso com Rua Luiz Leporace, está abrigando, há cerca de três meses, um grupo de moradores de rua. Dois homens, duas mulheres, um rapaz e um adolescente usam o local para dormir, comer, fazer suas necessidades fisiológicas e até criar cães. A situação tem preocupado moradores dos arredores, principalmente pela desvalorização dos imóveis e pela sensação de insegurança causada por brigas e pela falta de iluminação no local. Para os moradores regulares, ainda que não abrigasse pessoas, a existência de um prédio abandonado já seria motivo de preocupação. “Quando alguém quer comprar algum apartamento, com certeza, considera a situação do posto”, disse um dos moradores que preferiu não se identificar e mora num condomínio de prédios ao lado do posto. “Se fosse só uma família, seria melhor, mas ninguém sabe direito quem está ali”, completou. O subsíndico do condomínio Spázio Fratelli, Rogério Luiz Pereira, vizinho do posto, contou que já testemunhou o uso de drogas e brigas no local e acrescentou que a permanência do grupo atrai outros moradores de rua, aumentando os problemas. “Eles vêm aqui no prédio para pedir alimento, água, reviram as lixeiras e espalham o lixo na rua. Além disso, quem passa aqui à noite fica com muito medo”. Ele citou relatos de estudantes que foram perseguidos por moradores de rua quando retornavam para a casa à noite. “Já houve casos de meliantes que acabaram perseguindo estudantes que vinham da Facef para o condomínio”, contou. Em noites de frio, segundo o morador, os invasores acendem fogueiras com pneus, galho, papelão e outros produtos, causando risco de incêndios. A administração do condomínio informou que já pediu providências à Prefeitura, que, porém, não conseguiu resolver o problema. “A assistente social já esteve aqui, mas essas pessoas relutam em ir para o Abrigo porque lá eles têm que obedecer regras, não podem beber e têm que tomar banho”, disse. Arredios, os invasores se recusaram a conversar com a reportagem. “Não estamos precisando de nada. Aqui a nossa vida é boa”, disse o homem que parece o líder do grupo. Em tom de ameaça, ele tentou evitar que a equipe fotografasse a situação. “Vocês não podem fotografar aqui. Sabia que isso dá processo?”, disparou. HISTÓRIA O secretário municipal de Desenvolvimento Humano e Social, Roberto Nunes Rocha, informou que o grupo é quase todo composto por pessoas que teriam vindo para a região em busca de emprego. Esse não seria o primeiro caso de invasão no qual teriam se envolvido.”Eles vieram de Barretos, já estão em Franca há muito tempo e já tiveram problemas de desalojamento no Jardim Dermínio”, disse. Segundo ele, a única medida que pode ser tomada por sua pasta é encaminhar as pessoas para o Abrigo Provisório da Prefeitura e cadastrá-las em programas de transferência de renda. Wilson Ferreira de Jesus, coordenador do Projeto da Sopa, da Igreja Assembléia de Deus, que fornece periodicamente alimentação para pessoas em situação considerada vulnerável, disse que ali vivem seis pessoas. Uma delas estaria com o pé quebrado e precisando de atendimento médico. “Eles sobrevivem catando papelão de madrugada e eu estou tentando tirá-los de lá e levá-los para um imóvel em condições, provavelmente um sítio, onde eles possam morar e cultivar alimentos, mas até agora não consegui convencê-los”, disse.

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