Este domingo é conhecido como o domingo do semeador. A atividade de semear é uma ação humana que exige certeza e confiança. Para semear existe um processo que deve ser perseguido: preparar a terra, escolher a semente e lançá-la no tempo certo, regar e esperar que germine, cresça, amadureça até que produza os frutos desejados.
Através da palavra de Deus sabemos que Jesus é o semeador da boa semente do Reino do céu. Escutaremos os seguintes trechos da Bíblia neste domingo: Is 55, 10-11; Romanos 8, 18-23 e Mateus 13, 1-23. A primeira leitura relata o questionamento que os israelitas fazem estando escravos na Babilônia, perguntando se era possível rever a própria terra, ou seja, voltar a ter liberdade.
Entre essas pessoas cansadas e desiludidas surge um profeta que fala em nome de Deus e anuncia que a libertação está próxima. O povo confia e o tempo passa e a demora provoca em todos um grande desânimo. Surge uma pergunta: por que a palavra de Deus não se realiza? O profeta responde com uma analogia: a palavra de Deus é como a chuva e a neve; elas caem do céu e não voltam sem antes ter produzido o efeito para o qual foram enviadas.
A palavra de Deus realiza infalivelmente o que promete. Não há empecilhos capazes de impedir a sua realização. Passam-se alguns anos e eis que o povo está livre da opressão que viviam. Isaías é o profeta da consolação. Ele desperta a necessidade de fixar o olhar com esperança no que vai acontecer: a manifestação, o triunfo da misericórdia, da bondade de Deus, a salvação. Ao falar da harmonia da natureza, o profeta ressalta o agir de Deus na história da salvação.
O trecho da segunda leitura é muito bonito: de um lado descreve a triste situação do mundo e do outro oferece o motivo pelo qual devemos manter a serenidade e a esperança. Olhando os sofrimentos, as lágrimas, os ódios e as violências ao nosso lado, pensamos que o mundo continua piorando, e um dia acabará, será destruído, desaparecerá. Esta interpretação não é cristã, pois não possui esperança. O cristão não pode ser alienado, não pode permanecer indiferente diante dos gemidos da criação. Mas não perde a esperança e têm certeza de que, mesmo diante dos obstáculos, Deus está vitorioso, seu amor é “presença” na luta de cada dia. O mundo melhor se dá com a colaboração de todos.
O evangelho nos conta a parábola do “semeador”. A semente lançada à terra pelo semeador é a palavra de Deus. O semeador é o próprio Jesus e ele espalha generosamente a semente confiando sempre numa prodigiosa colheita. Jesus se apresenta como um arauto que proclama o início do Reino de Deus, exigindo dos ouvintes aceitação e obediência. Jesus diz que parte da semente lançada caiu em terra boa e produziu o fruto esperado. Outra caiu em terreno impróprio. Algumas sementes logo germinaram, mas secaram e outras nem conseguiram germinar, pois caíram à margem do caminho e as aves as comeram.
O semeador possui mãos generosas, mas nem todas encontraram a terra fértil para produzir os frutos desejados. Jesus, como um experiente lavrador, sabe que nem todo terreno é propício e que muitas sementes se perderão. Diante da parábola de Jesus é necessário perguntar: que tipo de terreno é meu coração?
Há o “coração duro”, como a terra pisada de uma estrada: não permite à semente da palavra de Deus penetrar. Há o “coração inconstante”, que se entusiasma com facilidade, mas depois de poucos dias volta a ser o que era. É como uma pedra coberta com um pouco de terra. Se alguém planta uma semente, esta germina, mas em seguida seca. Há também o “coração inquieto” que se agita por causa dos problemas deste mundo, que corre atrás do dinheiro.
Estas preocupações são como os espinheiros que sufocam a semente da Palavra. Por fim há o “coração bom” no qual o Evangelho produz frutos em abundância.
As quatro qualidades de terra se encontram, mais ou menos, em cada um de nós. Em cada um de nós há espinhos, pedras, trilhos e terra de boa qualidade. Trata-se de tomar consciência e de melhorar o terreno, que é o nosso coração, para que a palavra de Deus possa produzir frutos.
ELEIÇÕES 2008
Tendo começado o período da campanha eleitoral, é preciso pensar: “o voto depositado na urna exige dos eleitores e dos eleitos um compromisso com a consolidação da democracia. Os eleitos são chamados a buscar o bem comum. Os eleitores são convidados a acompanhar os eleitos no cumprimento de sua missão e a valorizar os que atuam com critérios éticos. São qualidades imprescindíveis para os candidatos: honestidade, competência, transparência, vontade de servir ao bem comum, comprovada por seu histórico de vida”. (Trechos da declaração da CNBB).
PROMOÇÃO HUMANA
A Diocese de Franca está empenhada em realizar alguns trabalhos que buscam a promoção do ser humano que foi criado à imagem e semelhança de Deus. Já existem diversos serviços nas paróquias que buscam “ajudar” o próximo, atualmente foi criada a “Caritas Diocesana”. Nos últimos meses tem se pensado na criação de um trabalho que possibilite uma melhor integração da pessoa na sociedade com qualificação. O apoio está chegando de forças vivas da nossa sociedade. É a fase da estruturação. Se Deus quiser produzirá frutos. Muitos irão desfrutar de forma graciosa. É hora de trabalhar.
PARA REFLETIR
Somente a água que damos de beber ao próximo poderá saciar nossa sede / Somente a roupa que doamos poderá vestir nossa nudez / Somente o doente que visitamos poderá nos curar / Somente o pão que oferecemos ao irmão poderá nos satisfazer / Somente a palavra que suaviza a dor poderá nos consolar / Somente o prisioneiro que libertamos poderá nos libertar. (Em “O Mensageiro de Santo Antônio).
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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