Sem carrocinha, cães dominam cidade


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‘NERVOSINHO’ - Cachorro peludo late para fotógrafo no meio de uma das ruas do Jardim Aeroporto. Vizinhos alegam que animal persegue as pessoas e é fedido
‘NERVOSINHO’ - Cachorro peludo late para fotógrafo no meio de uma das ruas do Jardim Aeroporto. Vizinhos alegam que animal persegue as pessoas e é fedido
Quase três meses após a suspensão dos serviços da carrocinha, as ruas de Franca estão cheias de cães e gatos. Os bichos colocam em risco a saúde pública, rasgam sacos de lixo, sujam ruas e calçadas, atacam as pessoas e provocam acidentes. O número de atropelamentos, aliás, cresceu vertiginosamente desde que a lei estadual que proíbe a eutanásia de animais capturados pelo município entrou em vigor, no dia 16 de abril, e a Prefeitura deixou de tirar os bichos das ruas. Antes, a Secretaria de Saúde, através da Colifran, recolhia nove animais mortos por mês. A média passou a ser nove por dia. Vacas, cavalos e até galinhas também são flagrados perambulando pela cidade. Antes da nova lei, a Prefeitura recolhia cerca de 200 animais por mês, os mantinha no canil por cinco dias e sacrificava quando não eram resgatados pelos donos. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, alega que o município não tem condições de manter tantos animais por mês e o serviço continuará suspenso. Só são capturados ou aceitos no canil os agressores. “Trabalhamos na legalidade. Temos de cumprir a lei. Risco existe”, disse (leia mais no apoio). Na semana passada, a Secretaria confirmou raiva em um morcego capturado na região do Shopping do Fabricante. Os cachorros e gatos podem transmitir a doença. Em maior número nas ruas, aumentam os riscos. “O risco é grande porque podem cheirar ou brincar com os morcegos e serem atacados e contaminados por vírus da raiva. Depois transmitem aos humanos”. A dona de casa Denise Rodrigues, moradora no Jardim Santa Bárbara, já sentiu os efeitos da suspensão do recolhimento pela carrocinha. “Aumentou muito o número de cães perto da minha casa. Tem um cachorro peludo por aqui que não dá sossego. Ele tem mau cheiro, fica perto da gente, incomodando. Eles ainda espalham lixo pelas ruas. Para você ter idéia quando tem três cachorros é um número light”, disse. [FOTO2] ‘GRANDÕES’ Gado solto em vias públicas também gera transtornos e coloca as pessoas em risco. Há 24 dias, uma senhora de 72 anos foi perseguida por um boi. A dona de casa Auta Pedro, 72, estava entrando com uma amiga para a missa numa igreja da Vila Europa quando notou que o boi com chifres estava furioso e correndo para o lado delas. Ao tentarem fugir, as duas se desequilibraram e a amiga caiu em cima dela. “A queda doeu muito. Na hora perdi a fala. Depois da radiografia, descobri que tinha fraturado a coluna em três lugares. Fiquei com o corpo todo roxo e só agora os hematomas estão saindo”, disse Auta, ainda em recuperação. Ela terá de usar um colete para coluna por no mínimo quatro meses. “Meu maior medo é não conseguir voltar a fazer natação, ginástica e limpar minha casa. Não sou contra ter animal, mas precisa ter mais zelo e mantê-los fechados. Quem tem criação tem que cuidar”. Moradores do Jardim Aeroporto III são outros a sofrerem com a “bicharada” de grande porte. A Prefeitura captura em média dez bovinos e eqüinos por mês. São levados para baias no Canil Municipal onde permanecem até serem resgatados pelos donos. É preciso pagar diária de R$ 26 para recuperá-los.

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