<p>Nascido em 18 de agosto de 1938 em Igaçaba, distrito de Pedregulho, interior de São Paulo, segundo filho de Octávio e Izaura, Orestes Quércia estudou até o terceiro ano primário no grupo escolar do pequeno distrito. Nesse vilarejo, aos 7 anos de idade, já começa a trabalhar, ajudando o pai em sua máquina de beneficiamento de arroz. </p><p><br />Em 1948, aos 10 anos, a família muda-se para Pedregulho, onde Quércia trabalha em uma selaria de seu pai, na qual fazem estribos e arreios. Também vende doces na estação de trem, além de frutas e legumes. Mais tarde, passa a comprar bicicletas velhas e quebradas, para consertar e revender. É seu primeiro negócio próprio. </p><p><br />Orestes Quércia teve como primeiro mandato político o cargo de vereador, aos 25 anos, em Campinas. Foi deputado estadual e, em 1974, senador da República.<br />É eleito vice-governador do Estado de São Paulo, com Franco Montoro, já pelo PMDB, em 1982, quando toma posse como presidente da Associação Paulista dos Municípios (APM). Em 15 de novembro de 1986, Quércia é eleito governador do Estado de São Paulo pelo PMDB.</p><p><br />Atualmente é presidente estadual do PMDB. Na política costurou acordo com os Democratas, partido que pode levá-lo a disputar em 2010 um novo mandato ao Senado. Como empresário atua nas áreas de comunicação, agronegócios, shopping centers e imobiliária.</p><p><br />Em 1985, Quércia se casa com Alaíde Cristina Barbosa Ulson, com quem tem quatro filhos: Cristiane, Andréia, Rodrigo Octávio e Pedro Octávio. É com eles que vem quinzenalmente à região, percorrendo suas fazendas próximas a Pedregulho. Foi na varanda de uma delas, a maior - Fazenda Nossa Senhora Aparecida, onde cultiva 5 milhões de pés de café, instalou a Torrefadora Octávio Café e cria tops da raça de gado nelore -, que Quércia recebeu a reportagem do Comércio da Franca para esta entrevista exclusiva.</p><p> </p><p><strong>Comércio da Franca - Quais são seus investimentos nesta região?<br />Orestes Quércia -</strong> Temos trabalhado no sentido de produzir um café especial aqui na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Pedregulho. Fizemos um investimento significativo nesta área. Temos equipamentos moderníssimos de seleção do café. Todo café que fornecemos no Brasil é torrado aqui, na Octávio Café. É uma empresa nossa que está funcionando aqui como torrefadora. Instalamos em São Paulo um show room nosso onde mostramos a grande qualidade que tem o café da Alta Mogiana, especialmente o de Pedregulho. Estamos já com clientes que adquirem cerca de 10 toneladas mensais para restaurantes, cafeterias e hotéis. É o tipo de negócio que temos nos Estados Unidos, em Nova York com a Dellis Cofee. Fizemos investimentos em NY onde vamos lançar o blend Octávio. Estamos prestigiando o pessoal da Associação dos Produtores de Café da Alta Mogiana, da qual fui fundador e primeiro presidente, cuja sede está em Franca. O negócio café vai bem. Podia ir melhor se o dólar tivesse um preço melhor. Vamos esperar que isso venha a acontecer. <br /><strong><br />Comércio - Como foi a entrada de nossa região na Bolsa Mercantil e de Futuros, a BM&F?<br />Orestes Quércia -</strong> Nós temos uma tradição no Brasil. A Alta Mogiana sempre foi considerada produtora de café de altíssima qualidade. Me lembro quando era menino, morava em Igaçaba, depois Pedregulho e em Franca, todos os ônibus urbanos de Franca tinham um letreiro: “Franca, a terra que produz o melhor café do Mundo”. E é verdade. Houve uma diminuição, quando houve a ascensão do café do cerrado, em Minas, mas hoje o café da Alta Mogiana está voltando a mostrar sua face de uma forma mais profissional, agregando valor, vendendo o café mais caro por sua excelência.<br /><br /><strong>Comércio - A cafeicultura se soltou das garras do governo?<br />Orestes Quércia -</strong> Sempre fomos vítimas do IBC (o extinto Instituto Brasileiro do Café). Durante toda sua existência, ele comprava o café, só o governo vendia para o Exterior. Fazia o confisco do café. Não havia incentivo, pois o preço era um só. Tanto fazia produzir um café de qualidade, como não, o preço era igual. Ninguém se preocupava com a qualidade. Hoje não. Exportamos diretamente para a Europa, Canadá, Estados Unidos e isso agrega valor, criando esta responsabilidade de produzir um café de melhor qualidade. É o que já acontece aqui na Alta Mogiana, com incentivo da Associação dos Produtores de Cafés Especiais e com a própria realidade do mercado.<br /><br /><strong>Comércio - E a atual política econômica?<br />Orestes Quércia -</strong> Como o dólar está muito baixo, em virtude da realidade econômica mundial, isso afeta os interesses dos exportadores de maneira geral. Por isso é importante ter um café de qualidade melhor para poder vender melhor. Há um incentivo para que a Alta Mogiana tenha um manejo melhor, podendo vender mais. <br /><br /><strong>Comércio - E seus planos de expansão?<br />Orestes Quércia -</strong> Já consolidamos a Octávio Café e continuamos fazendo investimento. Vamos lançar uma nova marca, que é a “Top Brasilis”, um café blend, um pouco parecido com o “Octávio”, que vamos vender também para restaurantes, armazéns mais qualificados. Estamos na colheita, uma fase muito agradável, bonita de estar aqui na fazenda. Estávamos com receio da colheita deste ano por causa da demora das chuvas, mas ela está bem para todo mundo. A informação que eu tenho é que a colheita vai ser muito boa.<br /><br /><strong>Comércio - E a expansão da cultura da cana na região?<br />Orestes Quércia -</strong> Com esta estratégia de melhorar a qualidade do café, vamos manter esta região com a predominância do café. As pessoas às vezes se preocupam com o surgimento de muitas lavouras de cana por causa da questão do combustível mundial. É um negócio bom. Mas eu acho que o café também é um negócio bom. Acho que cada produtor vai procurar a melhor alternativa. Acredito que o café vai continuar sendo uma excelente alternativa de investimento.<br /><br /><strong>Comércio - A cana estraga a terra ou é mito?<br />Orestes Quércia -</strong> Não sou muito técnico, mas não acredito que isso seja assim, não. Acho mais uma superstição. Nada estraga a terra. Até tem uma área que acabamos de comprar aqui próximo. Vamos tirar a cana e plantar café. Vamos no inverso.<br /><br /><strong>Comércio - E a aquisição da tradicional Fazenda Chapadão? Qual o projeto?<br />Orestes Quércia -</strong> Minha mãe (Izaura Roque Quércia) nasceu lá. Hoje a Chapadão é restrita a 30 alqueires só, que é da sede. A fazenda não é mais aquela enorme, na época em que meu avô, Orestes, era encarregado da máquina de beneficiar café de lá. Naquela época era muito grande. Hoje é mais história. Comprei recentemente o que restou da fazenda. Estamos melhorando a casa-sede que estava praticamente destruída, abandonada. Estamos dando uma arrumadinha lá para embelezar a Fazenda Chapadão. Todo nosso gado nasce lá. Estamos organizando as baias que já existiam. Vamos restabelecer a história da Chapadão, mas ela hoje já é a “Maternidade do Gado Nelore”, top da raça, com o qual estamos participando de leilões em todo o País, vendendo bem. Hoje por acaso estou recebendo aqui o José Olavo (Borges Mendes), que é presidente da ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Gado Zebu) e o João Barcelos, dono da Agropecuária Mata Velha, que vieram almoçar conosco e conhecer nosso plantel. Estamos animados com o gado nelore para melhorar o nível do gado brasileiro. Hoje somos os maiores exportadores do Mundo.<br /><br /><strong>Comércio - O senhor vai investir no setor imobiliário na região?<br />Orestes Quércia -</strong> O meu forte é imobiliário. Dia 29 lançamos em Campinas um grande empreendimento. Aqui em Pedregulho tenho uma área nas imediações da AGAM (Armazéns Gerais da Alta Mogiana) - entre a Rodovia Cândido Portinari e a Avenida Orestes Quércia, a principal da cidade - que não é muito grande, mas é muito boa, onde vamos fazer um loteamento com cerca de 300 imóveis, já em fase de planejamento.<br /><br /><strong>Comércio - Mudando de assunto, e seu acerto com o DEM para apoiar Gilberto Kassab em SP?<br />Orestes Quércia -</strong> O Kassab tem nosso apoio e estamos lançando a candidata a vice, nossa companheira Alda Marcantônio. Fechamos a chapa com os Democratas. Kassab vai bem, é um prefeito muito respeitado, aceito pela opinião pública pela obra que vem fazendo, continuando a obra de José Serra. É uma administração do PSDB também. <br /><br />Comércio - E a candidatura Alckmin?<br />Orestes Quércia - Houve aquele desentendimento, mas a grande maioria do PSDB apóia o Kassab. Estamos atentos, acompanhando o início da campanha, até porque na vaga de vice é nossa companheira. Estamos com expectativa de ganhar as eleições com o Kassab.<br /><br /><strong>Comércio - Neste acordo com o DEM, está preparada sua volta à disputa?<br />Orestes Quércia -</strong> Existe uma possibilidade de candidatura ao Senado, mas ainda dependendo das circunstâncias da eleição do Kassab. Vamos ver o que vai acontecer. Existe um acordo até do DEM me apoiar para senador, mas ainda vamos analisar depois do resultado eleitoral do pleito municipal.<br /><br /><strong>Comércio - Todas as coligações do Estado passaram pelo senhor?<br />Orestes Quércia -</strong> No Estado de SP sou presidente do PMDB. E todos os municípios tinham que ter uma autorização do Diretório Estadual para fazer qualquer coligação e tive que acompanhar ativamente. <br /><strong><br />Comércio - Em sua terra natal, causou surpresa seu apoio ao candidato do PSDB?<br />Orestes Quércia - </strong>Aqui em Pedregulho fiz um esforço para o pessoal apoiar o Dirceu Polo. Ele é um dos fundadores do PMDB e, por desentendimentos, acabou saindo do partido. Mas ele é nosso companheiro. Vai indo muito bem na administração e assumi um compromisso com ele. Aliás, o compromisso foi junto com o presidente do partido. Mas depois, por pressões dos companheiros aqui, parece que não apóiam o Dirceu. Mas eu vou apoiar o Dirceu. A minha palavra é uma só, eu não mudo. Posso descontentar o pessoal do PMDB, mas eu vou apoiar o Dirceu.<br /><strong><br />Comércio - E em Franca, o apoio ao Sidnei Rocha?<br />Orestes Quércia -</strong> Sinceramente, eu não tinha esta informação. Por mim tudo bem. A informação que eu tinha do Airton Sandoval era de que não iria apoiar o Sidnei. Mas se for apoiar, também não tenho nada contra. Acho que no caso do PMDB de Franca, há autonomia para resolver essas coisas. <br /><strong><br />Comércio - Qual a importância de 2008 para 2010?<br />Orestes Quércia -</strong> Eleição municipal é o início da eleição para governador e presidente. O quadro municipal acaba orientando o panorama estadual e federal. O povo mora é no município e isso (o resultado da eleição) deve sempre ser levado em conta para a perspectiva de uma candidatura a governador e a presidente.<br /><br /><strong>Comércio - O Lula tem tido dificuldade para encontrar um candidato...<br />Orestes Quércia -</strong> É porque todos aqueles que poderiam estar na fila foram massacrados no meio do caminho pelo “mensalão” e estes escândalos todos do PT. Todos aqueles que podiam aspirar a sucessão acabaram envolvidos por este estrago do “mensalão”. Ele está sem alternativas, inventando uma com a Dilma (Roussef) que é uma pessoa aparentemente competente, mas não tem história ainda. Mas em todo caso, em política tudo pode acontecer.<br /><br /><strong>Comércio - E o futuro do PMDB?<br />Orestes Quércia -</strong> É com isso que a gente se preocupa. Acho que o ideal é o partido ter candidato a presidente. Sempre foi minha posição. Espero que venha a ter candidato a presidente. Quando apoiei o Kassab eu disse: o PMDB pode apoiar o Serra na medida em que não tivermos candidato próprio. O objetivo é termos candidato a presidente. Temos gente como o (Roberto) Requião, que é governador do Paraná, o governador do Rio (Sérgio Cabral), que são candidatos que podem disputar pelo PMDB. Esperamos que isso possa acontecer. <br /></p>
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.