“O que estava muito bom, parece estar ficando complicado”. A frase do presidente da Associação dos Arquitetos e Engenheiros de Franca, Júlio Chead, mostra bem a situação da construção civil na cidade.
Após um crescimento de 60% nas atividades do setor em Franca - entre janeiro e julho deste mês em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento informal feito pelo próprio Júlio -, a demanda de produtos começa a ser maior do que a oferta, gerando um aumento de preços nos materiais de construção e no custo da obra. Desde o início do ano, o aumento foi de 30%. O presidente da associação não descarta ainda a possibilidade de faltar matéria-prima no mercado.
Um exemplo, citado por todos os comerciantes ouvidos pelo Comércio, são as ferragens, que chegaram a subir uma média de 40% desde o início do ano na cidade. Mas não foram apenas os metais que aumentaram de preço.
De acordo com pesquisa mensal realizada em todo o Estado pelo Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), o custo dos materiais da construção civil aumentaram 10,34% nos últimos doze meses. Dentro do levantamento, a maior alta registrada foi a do bloco de concreto, que subiu 77,11%.
OUTROS PRODUTOS
Paulo Belarmino, proprietário da loja Blocos São Paulo, nomeia outros produtos não citados pelo Sinduscon. Entre eles está o tijolo baiano, que desde o começo do ano já subiu 30%. Ele comenta que, no último aumento, o milheiro do produto passou de R$ 370 para R$ 420, um reajuste de 13%. Cimento, pedras e areia também estão na lista citada por Paulo. Para ele, o problema não é o aumento do número de obras, mas sim o custo do produto. “O problema é a alta do diesel. Uma coisa puxa a outra, sobe o frete, aí sobe tudo”.
Outro proprietário de uma loja de materiais de construção, a Paredão, Ronan Alves de Souza, diz que o aumento dos preços já está afetando seus negócios. O primeiro sintoma é a queda nas vendas. “As pessoas ficam meio assustadas com esse negócio de subir o preço”. Segundo ele, houve uma queda de 20% nas vendas no último mês. Além disso, a negociação fica mais delicada. “Por causa do aumento, a gente já não vende tanto a prazo. Se a pessoa quer um prazo nas vendas à vista, você já fica meio ressabiado, porque quando você vai comprar, não sabe que preço que vai pagar”.
MAIS AUMENTOS
Se os preços já não são animadores, as expectativas são ainda piores. Os lojistas ouvidos pelo Comércio dizem que os aumentos para as próximas semanas já são certos e não devem parar. “A ferragem já indica que vai ter mais aumento. O fornecedor já me falou que se eu quisesse comprar para fazer estoque, era para fazer porque vai ter aumento”.
Além dos preços, o setor trabalha ainda com o fantasma da falta de produtos. “Existe a possibilidade de faltar material. Pode acontecer da exportação melhorar. Nesse caso, o aço, por exemplo, pode desviar a produção para a exportação, o que acarretaria aumento de preço e até a falta de matéria-prima, mas é provável que isso não aconteça.”
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