Caderno especial sobre a Francal 2008. Edição de sexta-feira dia de 4 de julho: Ministro do Desenvolvimento declara: ‘meu barbeiro aumentou o preço dos serviços em 20% sem nenhuma razão’.
Isso porque o ministro só tem bigode. Imagina só o índice que o barbeiro teria aplicado à tabela se ele tivesse barba? Barbeiro de ministro é realmente coisa séria, esse pessoal precisa ser monitorado vinte e quatro horas por dia senão vão levar à lona todos os planos de controle da inflação.
Não bastasse os pobres comerem, agora os barbeiros também atuam de maneira decisiva para o descontrole geral de preços. Numa atitude que ameaça remover a pedra do sepulcro da inflação, o comportamento dos barbeiros torna-se definitivamente uma questão de segurança nacional.
Mas não me convenci de que o desalmado barbeiro do ministro não tivesse mesmo nenhuma razão para subir o preço do “cabelo e bigode” em 20%.
Decidi então realizar uma rápida pesquisa sobre o tema inflação e acabei encontrando uma pérola publicada pela revista Época, edição 320 de julho de 2004.
Parte do texto descrito abaixo revela que o barbeiro do ministro é um cidadão comum, que vive do seu trabalho e mora no Brasil, o que por si só basta para justificar o aumento reclamado pelo cliente.
Leia atentamente e descubra você mesmo quem tem razão. O ministro ou o barbeiro: “Os preços administrados - aqueles determinados por contratos preestabelecidos ou por um órgão do setor público - responderam por um terço da inflação nos últimos 10 anos. O Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) acumulou alta de 145,01% entre julho de 1994, início do real, e junho deste ano. A tarifa de telefonia fixa, cujos serviços foram privatizados neste período, foi a campeã de reajuste e acumula alta de 611,03% no período, a frente apenas dos aluguéis, que tiveram reajuste de 544,1%.
Por causa das tarifas, o grupo Habitação foi o que apresentou a maior elevação do período do real, de 240,2%. Todas as despesas com serviços, impostos ou produtos com preços administrados pelo governo tiveram reajuste superior ao da inflação do período na cidade de São Paulo. Os gastos com energia elétrica subiram 221,02%, as tarifas de água e esgoto encareceram 223,14%, o valor do imposto predial aumentou 165,74%. O preço do gás de botijão, o mais utilizado pela população, teve a terceira maior alta do real, de 483,05%, bem acima do que aumentou o preço do gás encanado, que também aumentou mais do que a inflação: 199,97%. O custo do transporte ficou 217,52% mais alto. A gasolina e o álcool combustível tiveram reajustes de 257,95% e 111,48%, pela ordem. Os transportes públicos, em alguns casos, tiveram aumento bem maior.
A tarifa de ônibus na capital paulista ficou 306,52% mais cara e a de trem, 331,72%. O Metrô encareceu 255,01%. Para quem usa táxi, o aumento foi de 284,48%. Na média, o reajuste dos alimentos ficou em 104,89, abaixo da inflação do período. No grupo, o produto que mais subiu de preço foi o pão francês, com alta de 225,07%. O óleo de soja ficou 166,36% mais caro no período”.
Ou seja, depois do exposto é possível concluir que o bolso do ministro não foi tungado pelo barbeiro, mas sim pelo modelo de gestão macroeconômica adotado por determinados homens públicos que há mais de dez anos alimentam a moribunda inflação que agora reaparece mais bela e formosa que nunca.
‘DELIRIUS POLITICUS’
Tem gente apostando todas as fichas na renovação total da Câmara dos vereadores. Os mais prudentes arriscam na reeleição de, no máximo, cinco dos atuais edis. Outros são categóricos em dizer que em time que está ganhando não se mexe. Ganhando? O quê?
FICOU BOM! PODIA SER MELHOR
A nova iluminação instalada nas árvores da cachoeira da Avenida Doutor Ismael Alonso realmente ficou muito bonita, mas não seria mais útil investir em barreiras de proteção ao longo da calçada com a finalidade de se evitar quedas acidentais de pedestres, automóveis e motocicletas? Quantos mais precisarão ser lançados ribanceira abaixo para que alguém tenha esta brilhante idéia?
TÁ RUIM? PODE PIORAR
Que as coisas em Brasília já não andam nada boas para a oposição tucana todo mundo já sabe. O governo tem tratorado toda e qualquer tentativa de investigação que lhe ofereça qualquer risco. Agora a novidade deve ser a chegada de Cacciola. O banqueiro extraditado voltará ao Brasil e deve tornar ainda mais nebuloso os ares da capital federal. Ao que tudo indica os céus não serão de brigadeiro para tucano voar.
PRA NÃO PERDER A PIADA
A Lei Seca tem dado o que falar nos quatro cantos do País. Circula na rede a imagem de um automóvel Brasília com adesivo no vidro traseiro que diz: ‘Se apesar da Lei Seca, Lula continua dirigindo Brasília, porque eu tenho que parar de beber para dirigir a minha?’.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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