Era uma vez uma represa


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MUDANÇAS - Depois que as comportas foram abertas, parte do solo ficou seca, como no sertão.
MUDANÇAS - Depois que as comportas foram abertas, parte do solo ficou seca, como no sertão.
Depois de ficar 14 meses vazia, a represa do Clube Castelinho voltou a receber água há três semanas. Mas quem se animou pensando que o local voltaria a ter o aspecto do passado, se enganou. O enchimento ainda não é oficial e não há previsão de quando a água ficará represada novamente. A água colocada é apenas um teste para analisar o comportamento do solo. A represa foi esvaziada para a retirada (desassoreamento) da areia e outros resíduos em excesso vindos dos bairros que comprometeram a profundidade dela. Essa foi a primeira fase do projeto, que consumiu R$ 500 mil, e pretende conter enchentes em Franca. A segunda etapa deve começar nas próximas semanas. O Castelinho ainda não está autorizado a encher a represa. Só poderá fazê-lo após a complementação das obras. O projeto está sendo elaborado por engenheiros contratados pelo clube e prevê a construção de um canal (vertedouro) de nove metros de largura e um dissipador de velocidade. Essa estrutura seria uma espécie de escada (degraus) ou um poço mais fundo que o canal para que a água perca a velocidade antes de voltar para o rio. “A represa é um sistema de contenção das águas das chuvas. Com os degraus ou o ‘poço’ a água descerá mais lentamente até voltar para o córrego e chegar à região do Posto Galo Branco, evitando erosão e enchentes naquela área”, disse o técnico agrícola José Cláudio Estevam, que participa da elaboração do novo projeto. Ainda estão previstas a construção de três caixas de contenção para água. Os valores não foram apresentados ainda e não está definido quem pagará os custos. A primeira fase, que consumiu aproximadamente meio milhão de Reais, foi paga pela Prefeitura. Quando estiver concluído, o projeto será encaminhado para apreciação do Daee (Departamento de Água e Energia Elétrica) de Franca. O órgão analisará o documento e, se estiver correto, emitirá licença autorizando as construções. A expectativa é iniciá-las em 20 dias e concluí-la até o período chuvoso, a partir de novembro. “Temos agosto e setembro para terminar a segunda etapa. Ainda não temos data para o enchimento total”, disse José Cláudio. REVOLUÇÃO A retirada da terra foi realizada de maio a novembro de 2007 para evitar que a represa transbordasse ou contribuísse para enchentes na época de chuvas. Foram retirados cerca de 15 mil caminhões de terra da represa. O presidente do Castelinho, José Antônio Filho, disse que o procedimento permitiu aumentar quatro vezes a capacidade da área. “Antes comportava 30 milhões de litros de água e hoje são 120 milhões”. As obras estão paradas. A represa está cheia de mato e um metro de água, que não cobre toda sua extensão. As dezenas de capivaras e garças que vivam no local migraram com o desassoreamento. Seis capivaras reapareceram após o enchimento, mas já foram em número muito superior. Um funcionário já chegou a contar 75 roedores de uma vez. [FOTO2] Para a comerciante Mara Paludetto, 40, que costuma caminhar no clube, “destruíram a represa”. “Os bichos sumiram. Sempre encontrava várias garças aqui. A paisagem ficou triste. Espero que a represa seja realmente reconstruída”. O gerente de manutenção do Castelinho, Celso Modesto, 41, disse que essa é uma fase necessária. “O aspecto está triste sim, mas é para ficar bem melhor depois. O desassoreamento era necessário. Está sendo feito o que é preciso, para resolver”. O promotor do Meio Ambiente, Fernando de Andrade Martins, considera que as obras são um mal necessário e disse que estão dentro das normas (leia mais).

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