A Abicalçaldos (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) vai apoiar fabricantes a exportar pequenos volumes de sapatos para os Estados Unidos. O projeto piloto, denominado Brazil Landed, deve contar, a princípio, com a participação de 15 empresas. O anúncio foi feito na semana passada pelo consultor da Abicalçados, Ivânio Batista, durante visita ao estande do Comércio na Francal.
Segundo Ivânio, o Brazil Landed ainda está em fase de implantação. O primeiro passo é justamente formar o grupo com as empresas participantes, que serão selecionadas nos principais pólos do setor no País. “Em Franca, por exemplo, já fizemos duas reuniões com calçadistas e acreditamos que pelo menos quatro, das 15 do projeto piloto, serão da cidade”, disse.
Além de viabilizar as vendas de sapatos para os EUA, o projeto tem como finalidade fazer com que marcas brasileiras se destaquem e ganhem visibilidade no exterior. Isso porque o Landed só aceitará a inclusão de fábricas que trabalhem com marca própria. “Essa era a nossa grande meta e também do Governo Federal e da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Quem tem a marca própria é dono do negócio. Então só entrarão no projeto empresas que queiram vender suas marcas”, explica Ivânio.
Por meio do Brazil Landed, os fabricantes se unirão para ganhar força e trabalharão em um esquema semelhante ao de uma cooperativa: os produtos serão sedimentados em um único conteiner e entregues na porta do comprador. Com isso, diversos custos - como de transporte e taxas diversas - serão divididos e seus valores serão reduzidos, podendo a marca brasileira custar menos ao consumidor final dos Estados Unidos. Hoje, pelas atuais modalidades de exportação, os lojistas norte-americanos chegam a triplicar os valores do custo para distribuir o produto no varejo.
Agentes experientes da Abicalçados nos EUA ficarão responsáveis por resolver os trâmites burocráticos aduaneiros - para simplificar o transporte e desembarque - e buscarão informações comerciais e financeiras dos compradores para evitar que os fabricantes brasileiros façam negócios com grandes riscos. “Se ele tiver dúvida sobre o cliente ou não conhecê-lo, o Landed se encarregará de passar as informações necessárias para facilitar o acesso a ele”, disse Ivânio.
De acordo com o consultor, o projeto não terá adesão de grandes industriais, mas dos pequenos que têm condições técnicas para exportar mas não têm a estrutura necessária. “Franca, por exemplo, tem fábricas com excelente qualidade e preço competitivo que às vezes deixam de exportar porque são pequenos os volumes de negociação e elas não sabem como fazer. Agora vão saber”, disse Ivânio.
FORA DA COMERCIALIZAÇÃO
Apesar de prestar todas as informações necessárias, a Abicalçados não participará do processo direto de negociação entre os industriais e os compradores estrangeiros. Ela só entrará na transação a partir do momento do embarque da carga, quando ficará encarregada de inserir os produtos no mercado americano, dar informações comerciais sobre o cliente e nos eventuais casos de reclamações ou defeitos dos produtos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.