Oito pessoas moram em dois cômodos no Cambuí


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SITUAÇÃO DIFÍCIL - Nilma Ferreira Cardozo com os filhos na porta da casa onde mora no Jardim Cambuí: com risco de despejo iminente, ela sonha com uma casa própria
SITUAÇÃO DIFÍCIL - Nilma Ferreira Cardozo com os filhos na porta da casa onde mora no Jardim Cambuí: com risco de despejo iminente, ela sonha com uma casa própria
A costureira manual desempregada Nilma Ferreira Cardozo, 43, mora com os cinco filhos e dois netos em dois cômodos apertados, mal acabados e abafados no Jardim Cambuí. A filha mais velha tem 23 anos e os outros são todos menores de 10 anos. A “casa” foi construída nos fundos de um terreno. No local não há rede de esgoto. Os moradores utilizam uma fossa construída em um cômodo no canto da cozinha, próximo ao fogão. Para complicar, a família corre o risco de ser despejada por estar com aluguel de nove meses atrasado. Nilma, o marido e os outros familiares se mudaram para o Jardim Cambuí no fim do ano passado. O aluguel custa R$ 130. Só conseguiram pagar o primeiro mês. As últimas contas de água e energia também não foram pagas. “O Fórum já avisou que teremos de sair. Não sei para onde vou. A única coisa que queria era ter um teto para morar com meus filhos”, disse Nilma, que ficou viúva recentemente. “Eu queria que a Prefeitura ou a Prohab me ajudasse nesse ponto. Aluguel é complicado porque se não pagar você fica na rua. Mas não procurei ajuda para isso ainda”, completou. Nos últimos quatro meses, o marido, que tinha 45 anos, estava acamado com problemas cardíacos e de pressão alta. Ele morreu há dez dias. Nilma alega também ter problemas de saúde. “Tenho artrite. De repente sinto dores fortes nos meus pés e coluna”. A filha mais velha programava trabalhar na colheita de café, mas precisou cuidar dos pais doentes, dos irmãos e dos dois filhos e, como a mãe, continua desempregada. A família não possui renda alguma. Só tem o que comer porque ganha cestas básicas. “Comida? Os ‘filhos de Deus’ têm trazido para a gente. Mas para eles também fica difícil porque é muita família necessitada, não é só a gente”. LASTIMÁVEL Enquanto não consegue outro local para abrigar os filhos e ela, Nilma continua na dependência de doações e morando em condições precárias. Os problemas vividos pela família não se restringem à falta de banheiro e poucos alimentos. O momento de dormir é de aperto, abafamento e muito desconforto. Os moradores não possuem camas nem colchões. Utilizam apenas dois pedaços de espuma e as próprias roupas espalhadas pelo chão para dormirem. “Deitamos em cima das roupas para não ficarmos direto no chão. Dorme todo mundo junto, no mesmo quarto”. [FOTO2] Nilma disse que já foi atendida por assistentes sociais, mas alega que está sem documentos e não conseguiu requisitar benefícios pagos pelo governo. “Não providenciei ainda (os documentos) porque estou sem cabeça por causa da morte do meu marido. Está recente. A gente fica perdido, com uma tristeza só”. SERVIÇOS A família de Nilma mora na Rua Ramon Antolin Hernandes, 1960, no Jardim Cambuí

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