Integrantes da Adef (Associação dos Deficientes de Franca), Apae (Associação de Pais e Mestres dos Excepcionais) e do Centro de Reabilitação de Franca se reuniram ontem pela manhã com o presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), João Marcos Rodrigues. Na pauta de discussão, mudanças no sistema de ônibus com acesso para os cerca de 200 deficientes que dependem de cadeiras de rodas na cidade, os chamados cadeirantes.
De acordo com o presidente da Adef, Fernando da Silva, as entidades apresentaram uma série de propostas para serem aplicadas no sistema de transporte, facilitando a vida dos cadeirantes, que serão novamente discutidas em uma outra reunião, marcada para o dia 29. Os ônibus que fazem este tipo de transporte, cinco no total, foram entregues no dia 25 de março e fazem parte do contrato de concessão da empresa Atual assinado ainda na administração Gilmar Dominici (PT). Quatro dos cinco ônibus adaptados com uma espécie de elevador para possibilitar a entrada da cadeira de rodas estão nas linhas Circular I e Circular II. O quinto fica no estacionamento para substituir algum que possa apresentar defeitos.
A reclamação dos cadeirantes é que as linhas dos ônibus especiais não atendem os deficientes que moram em diversos pontos da cidade. “Do jeito que foi implantado, esse sistema não está resolvendo nada. O itinerário dele é muito vago. Ele faz uma linha de circular na cidade e a maior parte dos cadeirantes mora na periferia.”
É o problema vivido pela secretária Elaine Cristina de Souza, 33. Moradora no Jardim São Luiz I. Para chegar até o ponto de ônibus, ela tem que se locomover por meia hora na cadeira. “Minha colega me empurra por meia hora, quando saio de casa. Por isso, só andei no ônibus umas cinco vezes. Se não fosse essa dificuldade, usaria mais o ônibus”.
Entre as iniciativas propostas pelos cadeirantes, está a mudança no itinerário, dividindo a região em quatro zonas, a norte, sul, leste e oeste. Cada um dos veículos rodaria em uma dessas zonas, saindo do Terminal Central. Além disso, os portadores de deficiência física solicitam um maior espaço para os cadeirantes. No sistema atual, cada um dos ônibus tem apenas uma vaga para se colocar cadeira de rodas.
O próprio Fernando é um dos prejudicados pelo espaço destinado aos cadeirantes. Casado com uma cadeirante, a utilização do ônibus pelos dois ao mesmo tempo se torna impossível. “Não tem como eu pegar um ônibus com ela. Primeiro, porque o lugar em que ele passa é a um quilômetro de onde eu moro. Mas mesmo assim, eu teria que ir em um e ela em outro”.
O gerente da Atual, Celso Dias, diz que os ônibus com acessibilidade estão previstos em contrato, mas apenas para as linhas circulares e que apenas a prefeitura pode mudar o contrato. O presidente da Emdef foi procurado pela reportagem, mas estava em viagem e não foi localizado para comentar o assunto.
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