Bons tempos aqueles em que o preço da banana servia de referência para o mercado econômico. Quando alguma mercadoria tinha muita oferta e pouca procura, por parte do consumidor, era comum ouvir dizer que a mesma estava a preço de banana.
Ah! Mas hoje a área econômica mudou muito. O preço da banana atingiu patamares elevadíssimos. A tradicional banana-nanica está custando bem mais de um real o quilo. A banana-prata é encontrada por cerca de dois e cinqüenta. Já a saborosa banana-maçã, tão ao gosto das crianças, anda sendo oferecida por até três reais e, às vezes, por mais ainda.
Esse fenômeno de valorização excessiva deve ter ocorrido pelo motivo de faltar bananeiras nos quintais. Aliás, nem quintal anda tendo mais. Os loteamentos encolheram. Antes, um terreno tinha em média 250 metros quadrados. Passaram para 200. Depois, para 160.
Agora andam vendendo a casa já pronta, sem terra nenhuma ao seu redor. E o preço, como se dizia antigamente, não é de banana. Muito pelo contrário. Tem gente passando a pão e banana (ditado também perde a validade) para conseguir pagar a prestação.
Com esta mutante política econômica, até os ditados populares desgastam-se. Passar a pão e banana caracterizava uma situação aflitiva. Significava que a pessoa estava quase na miséria, não conseguindo nem comprar alimentos. Hoje, não, pois quem consegue adquirir pão e banana já se dá por satisfeito. Ainda, por cima, a aquisição desses produtos mostra a posição financeira do consumidor.
Bem devagar, deixando até tempo para divagar já que não tira nem meia hora de sono do presidente, a inflação está de volta. A culpa do dragão de sete faces novamente ganhar corpo e corroer as parcas (dicionário, correndo, por favor) economias do bolso do parvo (aproveite a letra P do dicionário) trabalhador está sendo jogada para cima dos preços dos alimentos. Principalmente do pão e da banana, porque estão na linha de frente dos últimos aumentos.
Por sua parte, o arroz e o feijão também passaram a ser artigos de luxo. Não andam chegando a qualquer mesa. A opção seria então passar a comer somente a mistura. Só que os outros produtos, tão costumeiros no cardápio cotidiano, também estão atrelados à inflação. Não bastasse a seca para fazer o boi gordo custar mais, a carne de segunda agora trocou de posição. Pelo menos no preço, o acém, a paleta, a gordurosa ponta de peito e o enervado músculo superaram as partes nobres do boi. Tem estabelecimento comercial oferecendo o contrafilé por valor igual ao do acém.
O engraçado de tudo isso, é a profusão de chuchu nas bancas. Antes, em período de seca, esse fruto transformava-se em carne verde. Seu preço não convidava ninguém a fazer regime. Estranhamente, em pleno julho, passou a ser encontrado por até vinte centavos. Quando em oferta. A dieta está pronta. Basta substituir a banana. A regra é passar a chuchu e água. Pão engorda!
Antônio Araújo
Professor de redação. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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