Catadores de café reclamam de más condições de trabalho


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Um grupo de sete catadores de café procurou, na manhã de ontem, o Sindicato dos Sapateiros de Franca para reclamar das condições de trabalho na Fazenda Candeias, em Pedregulho. Ao todo, 155 pessoas, a maioria da região de Porteirinha, no norte de Minas Gerais, estão na propriedade desde o começo de maio trabalhando na colheita de café. Os trabalhadores se queixam principalmente das condições do alojamento, que estão superlotados, e de promessas feitas pelo “gato” (que busca trabalhadores para a fazenda), mas não foram cumpridas. Paulo Afonso, presidente-licenciado do Sindicato dos Sapateiros, encaminhou o grupo para o Ministério do Trabalhado e Emprego de Franca. Os sete trabalhadores saíram escondidos da fazenda às 4 horas da madrugada de ontem e andaram durante duas horas até a Rodovia Cândido Portinari, onde esperaram por mais de uma hora para pegar um ônibus até Franca. O trabalhador José Dias dos Santos, 27, o porta-voz do grupo, se queixa que os 155 trabalhadores precisam dividir oito chuveiros e quatro vasos sanitários. “Os quartos também são muito apertados. Tem quarto com quatro pessoas, mas no meu ficam seis. Além disso, quando viemos trabalhar disseram que a gente ia pagar só a metade do preço da comida, só que estão cobrando 100% do valor”, afirmou Dias, que completou: “Eu nem estou conseguindo juntar dinheiro direito. Esperava levar mais de R$ 3 mil para casa, mas se conseguir R$ 1 mil será muito”. Gilmar Gomes, 24, também da região de Porteirinha, reclama de falta de espaço nos quartos. “Não tem nem lugar para a gente guardar as malas. E tem quarto que tem três beliches, fica sem espaço até para andar”. Já Expedito Ferreira, 43, reclama dos banheiros. “A gente tem que ficar na fila para tomar banho. É muita gente para pouco chuveiro”. As refeições são feitas na cantina construída ao lado do alojamento e também no meio da plantação onde foram montadas barracas e sanitários. Em todas as oito casas do alojamento existe energia elétrica, mas os trabalhadores também se queixam da falta de televisão. “Quando chegamos do trabalho não temos nada para fazer. Nem rádio tem aqui”, disse Gilmar Gomes. FISCALIZAÇÃO O alvo de queixas dos trabalhadores já é de conhecimento do Ministério do Trabalho e Emprego de Franca. O subdelegado do Ministério do Trabalho, Jamil Leonardi, afirma que recentemente foi realizada uma fiscalização de rotina na Fazenda Candeias onde se constataram algumas irregularidades. “Ao todo foram feitas cinco autuações. O principal problema está no alojamento onde várias pessoas ocupam o mesmo quarto. Também foi constatada a falta de equipamentos de segurança e sanitários nas frentes de trabalho”, disse Leonardi. O Ministério do Trabalho e Emprego deu um prazo de 15 dias para que a situação fosse regularizada. “Mas, diante dessas reclamações, vamos encurtar o prazo e deveremos retornar ao local. O administrador da fazenda, Antônio Basso, afirma que só foram registradas duas falhas. “Os fiscais pediram que fossem instalados armários nos quartos e também reclamaram da falta de papel higiênico nos banheiros. Já estamos providenciando. Agora, nos quartos dormem só quatro pessoas”, disse.

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