“Quer que olhe o carro aí, senhor?”. Quem nunca foi abordado por um homem ou adolescente na porta de uma festa, fazendo esta pergunta para vigiar o veículo estacionado? É a ação dos chamados “flanelinhas”, que, em alguns casos, pegam o dinheiro e sequer tomam conta dos carros. Esta é uma situação que se tornou comum nas portas de bares, restaurantes e salões de festas e que não tem qualquer tipo de controle. As reclamações por parte da população são muitas e a polícia garante não ter como fiscalizar.
Não há dados específicos sobre quantas pessoas em Franca trabalham vigiando carros nas rua. Mas, no início do ano passado, a polícia chegou a fazer um levantamento e cadastrou, numa só operação, perto de 36 pessoas, entre homens, mu-lheres e menores de idade, exercendo a profissão. “Na época, a intenção era saber quem estava trabalhando nas ruas olhando os veículos e acompanhá-los mais de perto já que alguns tinham passagens pela polícia. Era uma maneira de evitar que eles praticassem furtos, pois uma vez cadastrados, se houvesse crimes relacionados aos flanelinhas ficava fácil identificá-los”, disse o delegado Wanir José da Silveira.
Os preços cobrados pelos serviços de vigia variam de acordo com o local da festa, o número de carros interessados e a “cara” dos clientes, podendo ultrapassar R$ 10. A maioria dos flanelinhas trabalha com um mínimo de organização, usa colete e tem uma espécie de recibo, mas em nenhum dos pontos visitados pela reportagem (próximo ao Uni-Facef, Unifran, Castelinho e na Avenida Paulo VI) foi possível comprovar se os vigias tinham cadastro na delegacia.
Um dos flanelinhas que trabalha na Avenida Major Nicácio, perto de um bar, disse que realmente vigia os veículos. “Eu não exijo nenhum valor. Paga quem quer e o que puder. Não ganho muito, mas realmente fico de olho nos veículos”, disse o adolescente GFS, 17 anos.
Ele confessou nunca ter sido cadastrado em nenhuma delegacia da cidade sobre a profissão que exerce só no período da noite.
Procurada, a polícia admite não ter como fiscalizar, mas garante que as denúncias sobre ações de extorsão por parte dos vigias de carros são investigadas. Para o delegado Wanir José da Silveira, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), é preciso que uma lei seja aprovada no município para regulamentar a profissão, para depois agir contra os que estiverem fora dela. “Não existe uma norma específica para que possamos agir. Se o flanelinha não estiver infringindo uma lei penal, a polícia não tem muito o que fazer”, disse o delegado.
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