A alta dos alimentos registrada não só em Franca, mas em todo o mundo, tem deixado donos de restaurantes em situação delicada. Pressionados pelos custos crescentes, os empresários ouvidos pelo Comércio dizem que estão vendo seus gastos crescerem enquanto a possibilidade de aumentar o preço cai cada vez mais por causa da concorrência.
Com uma alta de 51,71% no preço da cesta básica em um ano em Franca, muitos estão trocando o cardápio para evitar o aumento do preço. É o caso de Silvana Corrêa, proprietária do restaurante Frango Assado. “A gente pára de colocar certo tipo de carne e coloca outra para repor. Igual alcatra e cupim, nós tiramos da pista. Agora tem lingüiça, medalhão, entre outras coisas”.
Silvana diz ainda que teve que tirar as carnes assadas da pista. “Não tem como pôr a carne assada por quilo. É só para levar, porque R$ 12,90 (o quilo) não compensa o preço que nós pagamos. Teria que ser pelo menos R$ 30”.
O empresário Alexandre Dell Bianco tem uma vantagem em relação aos demais donos de restaurantes, mas também reclama dos aumentos. Dono de uma loja franqueada da rede Tempero Maneiro, ele consegue comprar produtos mais baratos que seu concorrente por comprar em grande quantidade, para todas as 118 lojas da rede. Apesar disso, o aumento foi inviável. “Meu lucro caiu muito. Se somar um pelo outro, teve um aumento de 50% a 60%. No restaurante eu aumentei 11%”. Outro ponto que ajuda Alexandre é o fato da carne ser pesada à parte. Com isso, ele pode controlar mais o preço dos demais alimentos. “Eu estava vendendo a carne a R$ 13,90. Ela deu uma disparada alta. Eu pagava o contrafilé a R$ 6,30. Hoje custa R$ 9. Eu não acompanhei o preço, foi para R$ 15,90.”
Mário Alves Figueiredo não tem a mesma sorte. Além de não ter uma franquia que possa baratear os custos, ele comenta que o número de restaurantes na cidade é muito grande, o que inviabiliza um aumento. Há três anos, ele não sobe o preço que cobra, R$ 16, o quilo. “Eu não consigo aumentar. Se fizer isso, vou perder clientes para a concorrência”. Ele ressalta que a forma de tentar evitar o prejuízo é pesquisar e comprar no local mais barato. O problema é que nem sempre a pesquisa compensa. “Você faz a pesquisa, mas, às vezes, sai mais caro, porque você anda demais atrás de preço”.
A situação de Paulo Magela Lemos é ainda mais complicada. Como Paulo tem uma rede de restaurantes que atende empresas, o preço é estabelecido em contrato, o que dificulta um possível reajuste. Para tentar driblar a inflação, ele está apostando na economia e na criatividade. “O que eu fiz foi contratar um açougueiro para tentar diminuir os custos da carne. Fiz também uma reunião com as funcionárias para tentar não deixar sobras”.
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