O economista Hélio Braga, pesquisador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef, acredita que a grande maioria das empresas é familiar ou tem origem na família. O especialista apontou os “gargalos” deste tipo de sociedade.
Segundo ele, em muitos casos, a empresa que deveria ser estritamente uma unidade de produção vira fonte de sustento da própria família, ou em suas palavras, “uma vaca sagrada que financia o consumo dos familiares”. Outro erro comum resulta da preocupação em manter os laços familiares e controle da propriedade, que induzem a escolhas de pessoas menos preparadas para determinados cargos.
Comércio da Franca -Quais as peculiaridades de uma empresa familiar?
Hélio Braga - Geralmente são empresas de micro e pequeno porte, mas isso não significa dizer que a regra seja válida para somente esse porte de empresas. Ela pode se estender, inclusive, para empresas de maior porte. Via de regra, o que caracteriza a empresa familiar seria o controle tanto acionário quanto o controle patrimonial e gerencial exercido pelo chefe da família ou por ela própria.
Comércio - Quais as vantagens desse tipo de sociedade?
Hélio - Uma das vantagens é ter o controle da empresa exercido pela própria família. Se ela for gestada de forma saudável pode se transformar numa grande empresa, se diversificar. Existem casos e mais casos de grupos empresariais que nasceram pequenos e se transformaram em grandes aglomerações empresariais, mas o controle tanto patrimonial quanto gerencial continua nas mãos de uma família ou um grupo familiar.
Comércio - Quais as implicações desse modelo?
Hélio - O grande problema é que essas empresas não são criadas muitas vezes com a finalidade de exercer uma função econômica e social. Em muitos casos ela acaba se transformando em uma ‘vaca sagrada’, em que o padrão de vida dos proprietários se confunde com o próprio orçamento empresarial. Então o orçamento da família acaba entrando no circuito da própria empresa e essa é uma armadilha perigosa. Como disse anteriormente, ela vira uma vaca sagrada porque acaba fornecendo leite generosamente para muitos, mas essa vaca pode secar se não for devidamente tratada.
Comércio - E a questão da profissionalização?
Hélio - Por serem empresas familiares, de capital fechado e que uma das principais características é o controle tanto gerencial quanto patrimonial exercido ou pelo patriarca ou pela própria família, normalmente há uma preocupação de transferir ou de contratar pessoas para o exercício da gestão dessas empresas pertencentes ao grupo familiar, principalmente nas funções mais importantes. Muitas vezes o ideal seria contratar profissionais devidamente qualificados e preparados para que pudessem exercer uma gestão mais profissional, mais técnica e não tão familiar.
Comércio - O senhor tem estimativas da quantidade de empresas familiares em Franca?
Hélio - Não, mas acredita-se que a grande maioria dos empreendimentos, tanto na indústria, quanto no comércio ou na prestação de serviços, independentemente do porte e fora casos excepcionais, são empresas genuinamente familiares. Nasceram da vontade do patriarca ou de alguém da família que iniciou o negócio. Em termos de percentual, a grande maioria dos empreendimentos de Franca é gestada pelas próprias famílias. É lógico que temos empresas que abriram mão de parte do próprio capital e se lançaram no mercado bolsístico, mas são casos raros.
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