Rotisserie À Siciliana: 30 anos em família


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Famosa pelas massas, carnes, saladas e agora sobremesas que vende, a mais tradicional rotisserie da cidade, À Siciliana, está nas mãos da mesma família há 30 anos. Desde o dia 2 de fevereiro de 1978, Marylene Alves de Paula, 70, assumiu o negócio ao lado dos filhos. A compra do estabelecimento aconteceu depois que o marido dela morreu em um acidente de trânsito e a deixou com cinco filhos pequenos. O mais velho estava com 11 anos e o menor com apenas 3. Um dos irmãos de Marylene ajudou a comprar a rotisserie para que pudessem sobreviver. O irmão pagou parte da empresa, colocou no nome de Marylene e deu um recado, que ela seguiu à risca. “Ele falou para eu terminar de pagar, empregar meus filhos lá e me sustentar com a rotisserie. Coloquei a molecada toda para me ajudar e estamos até hoje”, disse a proprietária, que antes trabalhava no setor de merenda escolar da Prefeitura. No começo, outro irmão dela ajudou nos negócios. Em 1993, Marylene perdeu um dos cinco filhos, que morreu aos 30 anos com problemas de saúde. Os outros quatro trabalharam na À Siciliana por mais um período e atualmente, dois deles, mais um sobrinho, atuam ao lado dela. “A Márcia, minha filha, trabalha numa escola de inglês e o Paulo (outro filho) tem uma clínica de massagem. O Dener e o Fabiano continuam na rotisserie, além do Marcel, meu sobrinho”. A empresa possui 15 funcionários entre fixos e diaristas, que são acionados aos fins de semana quando o movimento é maior. Desde maio, À Siciliana está em novo endereço. Deixou o prédio antigo na Rua General Osório para se instalar em um imóvel mais amplo e moderno na Rua Padre Anchieta, também no Centro. Para Marylene, as conquistas da empresa são fruto do trabalho em família. “Meus filhos são meu braço direito. O que conseguimos foi com nosso suor, principalmente porque eles não têm o pai para passar a mão na cabeça. Lutamos muito”. VIDAS QUE SE CONFUNDEM Um dos filhos da proprietária, Dener Eduardo de Paula, hoje com 43 anos, disse que quando a mãe comprou a rotisserie ele era criança e cresceu junto com a empresa. Ele pretende continuar no negócio, onde atua em todos os setores: de compras, financeiro, caixa, balcão e mesmo fazendo massas. “Fui criado aqui e é a única coisa que sei fazer. Não fiz faculdade porque a rotisserie ficava aberta até mais tarde. Minha vida é a rotisserie”. Como a mãe, Dener atribui a trajetória bem conduzida da À Siciliana à gestão familiar e ao comprometimento da matriarca e de seus irmãos. “É familiar, temos de abraçar a causa. Chego a ficar 12 horas trabalhando. Nenhum funcionário faz isso e não há como pagar alguém para essa carga horária. Nem computamos as doze horas que faço. Sendo donos abrimos mão de muita coisa”. Além do comprometimento dos “cabeças” do empreendimento, Dener acredita que a dedicação e responsabilidade são outras peças-chave para transformar a empresa em tradição. “Muitas pessoas passam aqui na porta no sábado e domingo e vê movimentado, ‘bombando’ e acha que é só colocar máquinas boas, contratar bons funcionários e pronto. Mas é bem diferente. Tem de lutar; chupar cana e assobiar ao mesmo tempo”, disse ele, que nas horas vagas tem como hobbie a criação de gado de corte. “É o momento em que vou para a fazenda e recarrego as energias”. A família prefere não revelar o faturamento da empresa. Dener apenas disse que os negócios já foram melhores. “Está difícil. Hoje pagando minhas contas e os funcionários em dia já fico feliz”.

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