Quarta-feira, 19 horas. Um dia comum para a maioria das pessoas, mas, ao chegar ao Centro Comunitário da Vila São Sebastião, uma cantoria chama a atenção. No salão, a alegria das mais de 30 crianças que lotam o local contagia. Com idades entre 10 e 15 anos e de vários bairros daquela região (Jardim Dermínio, Santa Efigênia, Jardim Martins, Continental, Santo Antônio e outros), meninos e meninas estão ali para aprender capoeira, expressão cultural que mistura luta, dança, cultura popular e música.
Ministradas todas as segundas e quartas-feiras, das 18h30 às 19h30, as aulas começaram há um mês e ultrapassaram as barreiras do bairro. Inquietas e ansiosas, as crianças são orientadas pelo Grupo Raízes do Brasil, sob o comando do professor Renato Miranda, o “Vampeta”, que, quando fala, é observado atentamente pelos alunos. Caio Cândido Ferraro, Felipe Eduardo Souza Teodoro (o “Lobinho”), James Mateus (o “Laranjinha”), James Andrade e Ariana Rodrigues também são voluntários.
A música do berimbau, atabaque e pandeiro convida as crianças aos primeiros gingados. As palmas acompanham o ritmo e os sorrisos demonstram a alegria e entusiasmo delas. Na roda, cada um tenta mostrar o que já aprendeu. Os movimentos ágeis e complexos, que utilizam os pés, as mãos e o corpo, ainda confundem as crianças, que gingam, mesmo sem sincronismo. A cada aula, Vampeta observa o desenvolvimento dos alunos. “A disciplina que aprendem aqui começa a ser aplicada na escola e em casa. Ela é a responsável pela mudança de comportamento”, disse.
Nas oficinas, as crianças aprendem a fabricar os próprios instrumentos, como o berimbau. Vampeta se sente realizado quando percebe que crianças, que antes eram vistas como agressivas ou desleixadas, conseguem se integrar ao grupo e mudam de comportamento.
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Bruno Henrique Oliveira, 11 anos, está na 4ª série do ensino fundamental. Antes das aulas de capoeira, ele jogava futebol na quadra no bairro com os amigos. “Acho bom. Gosto mais de gingar”, disse. Aline Vieira Pimenta, 11 anos, nunca tinha feito atividade física. Na sua primeira aula, ela foi acompanhada da mãe, a dona de casa Marilena Vieira Pimenta, que estava desconfiada de como seriam essas “tais aulas de capoeira”. “Achei muito bom. Ela é muito sedentária, adorava ficar deitada no sofá assistindo televisão. Agora ela já tem uma ocupação”, disse a mãe.
O presidente da Associação dos Moradores da Vila São Sebastião e Adjacências, José Aparecido da Silva, acompanha às aulas. “Nosso objetivo é tirar essas crianças da rua, proporcionar uma educação além da que recebem na escola”, disse.
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