Sai o goleiro, entra o gerente


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Do campo para o escritório: o ex-goleiro da Francana, Marcelo Flores, é o responsável atualmente pela frota de caminhões da Calçados Mariner
Do campo para o escritório: o ex-goleiro da Francana, Marcelo Flores, é o responsável atualmente pela frota de caminhões da Calçados Mariner

Mudanças de profissão não são raras na vida de uma pessoa. Algumas ocorrem por necessidade, em decorrência de desemprego, outras por ideal ou mais afinidade com um determinado ramo. O fato é que nessas idas e vindas há casos inusitados. Um deles aconteceu com Marcelo Flores, 35 (ele nasceu em agosto de 1972). Ex-atleta profissional - atuava como goleiro - passou por clubes como Francana, Portuguesa de Desportos e Atlético Paranaense. Em busca de estabilidade, já que constantemente mudava de cidade, decidiu encerrar precocemente a carreira e partiu para uma área totalmente distinta: virou supervisor de logística da Mariner. Atualmente, ao invés de comandar a formação de barreiras ou o posicionamento de zagueiros, coordena uma frota de caminhões que chegará, em breve, a dez veículos. Por ele, passam desde a compra de um pneu até a aquisição de novas carretas. É responsável inclusive por acertos com funcionários de seu setor que são dispensados. Em que pese a mudança radical de ramo, Marcelo Flores disse que está feliz em sua nova área de atuação e evita transparecer qualquer saudosismo por ter deixado os gramados. “Eu me envolvo muito e gosto muito do que eu faço”. Brincalhão, ao ser questionado se sabia quantos gols tomou durante a carreira de goleiro, Marcelo disse que não foram poucos. “Ah, cara, não fiz essa conta não. Deve ter sido um bocado, foi bastante”, disse. “Mas acho que mais impedi do que tomei, né?”, emendou, em seguida. Acompanhe, abaixo, os melhores trechos desta entrevistas concedida no estande do Comércio na Francal na última quinta-feira. Comércio da Franca - Quando você deixou o futebol e por qual motivo decidiu “pendurar as luvas”? Marcelo Flores - Dia quatro de junho deste ano fez dois anos. Sempre fui um cara muito família, caseiro, e buscava uma estabilidade financeira, de moradia. Eu ficava mudando o tempo todo. O Paulinho (Paulo Coelho) e o Marquinho (Marcos Lameirão), proprietários do Mariner, já ti nham feito uma proposta para eu trabalhar com eles uns quatro anos antes. Na época, preferi continuar jogando. Há dois anos, mudei de idéia e achei que poderia não ter a mesma oportunidade de novo. Decidi aceitar. Agarrei com unhas e dentes e acho que estou me saindo bem. Isto, apesar de que, de goleiro para supervisor de logística, é totalmente diferente. É mais um desafio em minha vida. Comércio - Por quais clubes você passou como atleta? Marcelo - Passei por vários times, além da Francana. Botafogo de Ribeirão Preto, Palmeiras, Portuguesa, onde fui vice-campeão brasileiro (em 1996, o Grêmio foi campeão), Atlético Paranaense, Botafogo da Paraíba, Joinville, Criciúma, CSA de Alagoas e Atlético de Sorocaba. Comércio - Com Romário e Pelé marcando mil gols, você sabe quantos gols já tomou? Marcelo - Ah, cara, não fiz essa conta não. Deve ter sido um bocado, foi bastante. Mas acho que mais impedi do que tomei, né? Eu vi o Marcão (Marcos, goleiro do Palmeiras) dizendo, dia desses, que se fizer a conta ele já tomou mais de mil gols. Mas essa parte você pula, deixa quieto. Melhor perguntar quantas defesas eu fiz, quantos títulos conquistei. Comércio - A instabilidade da profissão foi relevante para que mudasse de profissão? Marcelo- Com certeza. Eu ficava muito preocupado com minha família, tenho meu pai que é de idade e fica comigo também, então, sempre tinha de ter a responsabilidade por ter pessoas que dependem da gente. Então, tinha de buscar segurança porque os contratos são muito curtos, com campeonatos de apenas três meses. Você fica à mercê de uma série de fatores. Aí, eu já tinha colocado na cabeça que tinha de parar mesmo. Vinha me preparando e estudei para isso. Amadureci a idéia e falei para o Marcos que estava a fim de parar. Então, ele me deu a oportunidade. Comércio - O que é mais fácil, fechar o gol ou cuidar de uma frota de caminhões? Marcelo - Olha, é mais fácil ser goleiro, porque você treina para fazer, porque caminhão é como eu te falei: “feliz foi Adão, que não teve sogra nem caminhão” (risos). Mas eu me envolvo muito e gosto muito do que eu faço. Agora já estou conhecendo as manhas. Comércio - Quantos caminhões viajando por todo o País você admi-nistra? Marcelo - Quando eu entrei na Mariner, eram duas carretas. Hoje, estamos com uma frota de seis caminhões e estamos esperando a chegada de mais quatro para fecharmos uma frota de dez. A gente faz transporte próprio e para terceiros também. Temos uma curtidora no Tocantins que faz o transporte de couro cru para Franca. É uma verdadeira loucura, com tudo via satélite, como rastreamento, averbação de mercadorias. É muito complexo, pois tenho de ver desde a compra de um pneu até de um caminhão, acerto de funcionário. Gira tudo em torno de mim. É muito honroso Comércio - E como foi a Francal para a Mariner. Você gostou da feira? Flores - Gostei, gostei. O primeiro dia para a Mariner foi muito bom, no segundo deu uma caída, mas de forma geral para a Mariner foi muito bom. Acho que para a maioria do pessoal de Franca que participa da feira, pelo que a gente ouve de comentários, o saldo foi positivo.

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